Siga-nos

Perfil

Expresso

Cavaco em Espanha

Cavaco abre noticiários à boleia de Letizia

Não houve telejornal que não abrisse com a notícia da segunda gravidez de Letizia. Omnipresente na imagem, a visita de Cavaco ganhou uma visibilidade que não teria.

“En ora buena Majestades. En ora buena Altezas. En ora buena Espanha”. Cavaco Silva improvisou assim, em espanhol, as felicitações à Família Real pela notícia que marca a actualidade em Espanha. A segunda gravidez de Letizia Ortiz, Princesa das Astúrias.

A informação abriu todos os telejornais e a imagem do casal presidencial lá estava a abrir os noticiários. Não pela visita de Estado, mas pela coincidência dos dois acontecimentos. Não fora este facto e a presença do Presidente da República em Espanha teria sido, por ventura, menos mediatizada.

“É uma grande satisfação para mim e minha mulher que esta nossa visita fique associada a um momento tão feliz para Espanha”, disse Cavaco Silva no breve discurso que proferiu durante o banquete oficial oferecido pelos Reis de Espanha, no Palácio Real, em Madrid.

Os dois chefes de Estado brindaram em seguida ao nascimento do oitavo neto de Juan Carlos e às relações entre Portugal e Espanha. O Rei, amigo de longa data de Cavaco Silva, elogiou o papel do actual Presidente da República por, enquanto primeiro-ministro ter “imprimido um dinamismo sem precedentes nas relações luso-espanholas”. Juan Carlos insistiu ainda na necessidade de um reforço das relações económicas entre os dois países, relembrando que Espanha “é o principal sócio comercial de Portugal e o seu primeiro investidor estrangeiro”.

Cavaco Silva retribuiu com um discurso carregado de referências à história comum de Portugal e Espanha. O Presidente da República fez uma viagem ao passado e ao tempo em que foi primeiro-ministro para recordar a adesão à UE e o lançamento das cimeiras luso-espanholas, em 1992.

O Presidente português sublinhou que “hoje, nada do que acontece em Portugal é irrelevante para Espanha e nada do que acontece em Espanha é irrelevante para Portugal”, e acrescentou: “Das antigas desconfianças, motivadas acima de tudo pelo desconhecimento mútuo – é bem conhecida a imagem de dois países vizinhos de costas voltadas – passámos a uma relação de diálogo e cooperação permanentes, e à defesa conjunta de interesses comuns”.