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Expresso

Pela Europa com 500 euros

Recepção à portuguesa em Budapeste

Não há nada melhor do que estar num país estrangeiro e sermos recebidos à boa maneira portuguesa: com muita comida. Foi o que nos aconteceu na chegada a Budapeste.

“Não gostas? Come só mais um bocadinho”. Este é o tipo de frase que ouvi a minha mãe dizer aos nossos convidados durante toda a minha infância e que agora faço questão de repetir quando recebo alguém. Em frente a uma terceira sandes de mortadela e queijo, foi isto que ouvimos da boca de Lilla, a ‘couchsurfer’ que nos acolheu aqui em Budapeste.

Com a casa impecavelmente arrumada, recebeu-nos com uma mesa farta e tomou contou de nós como se nos conhecesse desde sempre. Zsolt, o namorado, chegou a casa ao fim do dia e repetiu a tão típica pergunta portuguesa. “Já comeram?”. Foi com uma sorriso aberto que lhes dissemos que definitivamente pareciam um casal português.

Reduções no  orçamento

Desta vez estamos com sorte porque Zsolt e Lilla vivem numa simpático apartamento da enorme Avenida Bajcsy-Zsilinszky, bem no centro de Peste. Basta darmos uma volta a pé pela cidade e percebemos que depois de destinos como Paris e Amesterdão, Budapeste é um paraíso para quem precisa economizar no orçamento (como nós!) e este casal já nos deu todas as dicas para o que interessa: comer. Por exemplo, a partir das seis da tarde as pastelarias põem os bolos a metade do preço, a cerca de 40 cêntimos cada um. Um achado maravilhoso para dois gulosos como nós… o difícil é mesmo escolher o que comprar. Perto  da zona das universidades existe também uma pequena tasca onde se serve comida caseira muito, muito barata. Para terem uma ideia, um prato de esparguete à bolonhesa (foi a única coisa que conseguimos perceber no menu) custa menos de dois euros.

Os transportes também funcionam bem: por 3.100 florins (qualquer coisa como 15 euros) compra-se um bilhete de três dias, que dá acesso a todos os transportes da cidade. No entanto, é mais uma vez a pé que temos feito quase todos os percursos. Desde a Basílica de Szt. István ao Parlamento e a Praça do Heróis, é fácil percorrer este lado do Danúbio. O casal, que é natural da terra do conde drácula, a Transilvânia, tem sido incansável e já prometeu não nos morder o pescoço. Ele é criativo  numa agência de publicidade, ela está a fazer o mestrado em relações internacionais.

Entre a guerra e a ópera

Quanto a visitas, mais uma vez temos de fazer opções por causa dos preços. Começamos pela Casa do Terror, um edifício que foi ocupado por Nazis durante a segunda Guerra Mundial. Dentro daquelas paredes foram torturadas centenas de pessoas e o ambiente transmite-nos um peso difícil de explicar. Cá fora, dezenas de fotografias revelam os rostos de quem foi vítima do holocausto.

A segunda paragem foi na Casa da Ópera Nacional. Por momentos, imaginei-me num enorme vestido da época da Princesa Sissi e admito que quase consegui ouvir os sons clássicos que já por ali passaram.  Encontramos um  casal português e a conversa obviamente não se fez esperar.  Despedimo-nos com um "até logo" como se nos fossemos voltar a ver, o que provavelmente não vai acontecer.

Serão gastronómico

Voltámos a casa há pouco para comermos uma refeição típica da zona. Decidimos os quatro fazer uma partilha gastronómica: esta noite eles cozinham o jantar (um género de polenta com bacon), amanhã cozinhamos nós qualquer coisa portuguesa. Estamos indecisos entre uma boa feijoada ou uma tachada de ervilhas com ovos escalfados… é que por aqui todos gostam de comida consistente.

VAMOS A CONTAS

Quanto custaram três dias em Amesterdão:

 

Primeiro dia

 

- Boleia Paris-Roterdão:

€ 20,00

- Comboio de Roterdão-Amesterdão:

€ 13,00

- Uma noite no hotel Marnix:

€ 18,00

- Visita ao Museu Van Gogh:

€ 10,00

- Jantar completo num restaurante italiano: 

€ 15,00

Segundo dia

 
- Um bilhete diário para a rede de metro, eléctrico e autocarro: € 06,00

-Visita ao Museu Heiniken:

€ 10,00

- Visita à Casa Anne Frank:

€ 07,50

- Menu do Burguer King:

€ 06,35

- Comprar comida para cozinhar em casa do 'couchsurfer', a dividir por dois. Cada um deu:

€ 03,30

- Aluguer de um cacifo:

€ 04,30

- Aluguer de bicicleta:

€ 05,00

Terceiro dia

 

- Waffle e café:

€ 02,20

- Bilhete de uma hora para todos os transportes:

€ 01,60

- Comboio Amesterdão-Eindhoven:

€ 17,00

-Tosta mista:

€ 02,50

TOTAL dos três dias em Amesterdão:

€131,75

Depois de mais uma semana em duas das cidades mais caras da Europa sobra-nos ainda 240 euros para fazer o resto da viagem. Será que vamos conseguir ou vamos ficar a lavar pratos em Frankfurt?