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Expresso

Pela Europa com 500 euros

Portugueses à beira de um ataque de nervos

Dez horas dentro de uma carrinha Ford Transit, a ouvir falar exclusivamente alemão e húngaro, tiram do sério qualquer português que dorme em sofás há mais de dez dias.

Imagine três húngaros, dois portugueses e três alemães dentro de uma velha carrinha Ford Transit durante mais de dez horas seguidas. Convidativo? Agora junte-lhe um bocadinho de cheiro a batatas fritas de paprika e um mini-DVD portátil a passar filmes do Steven Seagal, dobrados em húngaro e sem qualquer tipo de legendas. Foi assim a nossa viagem à boleia, desde Budapeste até Frankfurt.

Nesta fase da viagem é o vale tudo para poupar alguns trocos: por apenas 40 euros chegamos à Alemanha, o nosso último destino. A viagem mais uma vez foi combinada pela Internet, há mais de um mês, através do site “Ride4cents”.

Companheiros de viagem

Ao volante ia Viktor, um húngaro pequenino, de ar despachado sempre a dar ordens aos tripulantes como se de uma camioneta de turismo de tratasse. É aquele tipo de pessoa que em Portugal nós chamamos um “grande cromo”. Colado ao pára-brisas, o GPS a marcar o caminho. No seu telemóvel toca uma música da Shakira cada vez que lhe ligam. A cada paragem que fazemos dá-nos tempos limite estranhíssimos para ir à casa-de-banho, como por exemplo treze minutos. Como não falava quase nada de inglês só conseguimos perceber que vive em Frankfurt, onde tem um negócio de carrinhas com os primos. O resto é uma incógnita.

Connosco viajavam os primos de Viktor e três jovens alemães para quem estas andanças nas boleias não são novidade. Tessa é uma jovem estudante de medicina, Maciej namora com uma rapariga de Budapeste e Júlia foi passar o fim-de-semana a Viena. Todos temos uma coisa em comum: precisamos de apertar os cordões à bolsa. Coisa que não parece fácil na Alemanha, onde até para ir a uma casa-de-banho se paga 50 cêntimos.

Saudades de  Budapeste

Para trás ficou Budapeste. Talvez por termos sido tão bem recebidos, aqueles três dias souberam a pouco. Na última noite Zsolt e Lilla levaram-nos à Citadela, o ponto mais alto da cidade, para vermos a vista nocturna. Uma imagem difícil de esquecer. Pela noite dentro fomos ouvir música ao vivo a um bar e simplesmente conversar.

Foi com uma lágrima no canto do olho e com um grande abraço que nos despedimos deste simpático casal, que nos fez sentir totalmente em casa. Rimos, cantámos, cozinhámos juntos, como se fossemos amigos de longa data. É talvez este tipo de partilha, o melhor que se leva desta viagem. No ar ficou a promessa de uma ida a Portugal, onde será a nossa vez de oferecer o sofá.

Hallo Frankfurt

Esta manhã já acordámos em Frankfurt, em casa de Laurence, uma francesa muito simpática que nos acolheu ontem à noite, depois da extenuante viagem de dez horas. Ainda não há nada que eu possa dizer sobre Frankfurt, além do preço astronómico de um bilhete de metro: dois euros! Está na hora de fazer mais umas contas ao nosso já magro orçamento… amanhã apresento contas.