Siga-nos

Perfil

Expresso

Pela Europa com 500 euros

Descalça na capital económica da Europa

Imagine que o seu orçamento estava prestes a estoirar, chovia a potes e as solas das suas botas simplesmente rebentaram. Foi o que me aconteceu ontem.

Viajar duas semanas com uma mala obrigatoriamente reduzida, por causa das taxas dos voos «low-cost», levam-nos a ter de fazer algumas escolhas na hora da partida. Uma delas é a quantidade de calçado. Armada em esperta trouxe só umas botas para a chuva, que ontem simplesmente rebentaram de cansaço. Com os pés ensopados, senti-me uma total vagabunda numa cidade onde quase toda a gente usa um fato impecavelmente engomado.

Porquê Frankfurt? Muitas pessoas têm-nos feito esta pergunta. Aqui fica a resposta: não tínhamos outra hipótese. A verdade é que os destinos em voos «low-cost», disponíveis a partir de Portugal, são muito, muito poucos.

Passado e futuro

Embora esta não seja uma cidade turística há que aproveitar e, mesmo com os pés encharcados, fomos conhecer a cidade que já gosto de chamar de “terra dos contrastes”. As casas e igrejas que sobreviveram aos bombardeamentos da segunda guerra mundial contrastam com os gigantes arranha-céus que são a imagem de marca daquela que é a capital económica da Europa.

Decidimos aventurar-nos pela parte antiga da cidade, que parece ter sido invadida por chineses (mais uma vez) que tiram sempre fotos com os dedos em “v”. Já os alemães são meticulosos e obsessivamente organizados. Por exemplo, quando pedimos um café e tiramos o açúcar do cesto, os empregados fazem questão de a seguir por os restantes pacotes todos por ordem. Dá-nos vontade de lhes gritar: “Epá, relaxem!”.

Vai uma salsicha?

À hora do almoço procuramos as tão badaladas salsichas alemãs. Por todo lado existem «take-away». Optamos pelo mais típico de todos, que por acaso também é dos mais baratos: por apenas €2,50 comemos duas grandes salsichas em cima de uma fatia de pão castanho e uma consistente dose de mostarda. O Sol volta e nada melhor que um passeio pela margem do rio que corta a cidade ao meio. Como estamos no limite do nosso dinheiro visitamos Frankfurt a pé… como dois peregrinos.

À noite, mais uma vez aventuramo-nos na cozinha e preparamos um jantar português. Fazemos isto não só por ser mais económico, mas porque já desesperamos por alguma comida de jeito. Estamos completamente enjoados de sandes, «kebabs», hambúrgueres, pizas e coisas do género. Queremos um cozido à portuguesa o mais rapidamente possível!

Laurence, a nossa última «couchsurfer», percebe o desespero, uma vez que também está longe do seu país, e alinha no petisco. Já esteve em Portugal e ficou fã da comida e do vinho do Porto. A noite arrasta-se num bar irlandês, em frente a meio litro de cerveja (aqui ninguém bebe menos). A conversa é invariavelmente sobre Portugal. Serão saudades?

VAMOS A CONTAS

Quanto custaram quatro dias em Budapeste:

 

Primeiro dia

 

- Avião Eindhoven-Budapeste:

€ 19,90

- Bilhete de três dias para todos os transportes públicos:

€ 15,00

Segundo dia

 
- Visita à Casa do Terror: € 07,00

- Visita à Ópera Nacional:

€ 10,00

- Compras de supermercado:

€ 12,00

Terceiro dia

 

- Um menu  de hambúrguer:

€ 04,00

- Banhos termais em Gellert:

€ 12,00

- Uma cerveja no Old's Man:

€ 04,00

Quarto dia

 

- Comprar quatro chocolates húngaros para a família:

€ 02,50

- Boleia Budapeste-Frankfurt:

€ 40,00
TOTAL dos quatro dias em Budapeste: €126,40

Sobram-nos 113 euros  para  visitar Frankfurt e voltar a Portugal. Não temos outro remédio senão apertar (com força!) os cordões à bolsa.