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Expresso

Pela Europa com 500 euros

De molho em Budapeste

Se algum dia decidir andar duas semanas de mochila às costas e passar por Budapeste faça  uma paragem para o 'milagre da redução das dores nos ossos': nos banhos termais.

O tempo não ajuda no passeio matinal: chove que se farta e a temperatura ronda os quatro graus. Bem agasalhados rumamos até ao outro lado do Danúbio para finalmente conhecermos Buda. Indiferentes ao frio, centenas de turistas enchem a cidade.

Zsolt e Lilla levam-nos até ao alto da Catedral de São Matias, onde a vista é fabulosa. É difícil descrever porque, na verdade, toda a cidade parece um gigante monumento. Teatros, museus, bibliotecas, universidades e até mesmo os prédios de habitação têm uma imponência que nos faz sentir ainda na época imperial.

Facilmente se pode comparar Budapeste a Paris. A grande diferença são as pessoas. Com as suas gabardinas e bigodes, a maioria dos homens húngaros parece saído de um cenário mafioso. No entanto, a simpatia impera. Para nós o único grande problema é a língua. Tirando este casal de ‘couchsurfers’, mais ninguém percebe patavina de inglês. Ir ao supermercado é sempre uma aventura, onde a linguagem gestual acaba por ser a melhor opção. O sorriso das pessoas abre-se quando conseguimos dizer “obrigado” num húngaro macarrónico.

Finalmente o descanso

Ao fim de nove dias a dormir em sofás e a viajar com duas mochilas às costas (que mais parecem uma saca de batatas) já desesperávamos por qualquer coisa relaxante. Embora o preço não seja uma pechincha (quase doze euros), demo-nos ao luxo de entrar nos banhos termais do hotel Géllert. Dentro de um recinto clássico, repleto de colunas e estátuas majestosas, saltámos de piscina em piscina, durante duas horas, a experimentar as temperaturas que chegavam a atingir os 38º. Como sempre, os chineses tiravam fotografias a tudo, até mesmo aos chinelos.

Não me posso estender muito mais porque aqui em casa já esperam que me agarre às panelas para cozinhar um jantar português. Temos comido quase sempre em casa, o que é uma maneira simpática de pouparmos algum dinheiro.

Hoje também temos de dormir cedo porque amanhã espera-nos talvez a fase mais penosa desta jornada: dez horas de viagem até Frankfurt, numa Ford Transit, conduzida por um húngaro que não fala sequer inglês.