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Expresso

Pela Europa com 500 euros

Andar a pé faz bem à carteira

Se algum dia decidirem fazer uma viagem como esta, dou-vos um conselho de amiga: levem o calçado mais confortável que tiverem.

Para visitar Paris de uma ponta a outra sem se gastar muito dinheiro o truque é simples: andar a pé. Embora a linha de metro seja fantástica, é a caminhar que se fica a conhecer verdadeiramente o encanto da cidade das luzes. Neste três dias já caminhámos mais do que provavelmente nos últimos três meses em Portugal.

Os ‘couchsurfers’ parisienses têm sido tão incansáveis connosco que nem nos dão tempo para parar em casa (nem mesmo para escrever um texto). Saímos de manhã e voltamos invariavelmente já de madrugada. É um dos aspectos positivos de fazer estas viagens durante o fim-de-semana, toda a gente tem mais tempo para nós.

Ontem começámos o dia com a vista privilegiada da Torre Eiffel, da janela de casa da Aline. No mínimo inspirador, tal como o passeio que se seguiu: Montmartre. As ruas estreitinhas fazem-nos lembrar o nosso Bairro Alto, os pintores transportam-nos para o espírito da Rua Augusta.

Petisco típico francês

Como bons portugueses que somos, estas passeatas abrem-nos o apetite. Depois de um dia a comer 'fast-food' decidimos que desta vez merecemos uma refeição mais consistente. Aline e outros dois ‘couchsurfers’ levam-nos a uma ‘crêperie’ típica da Bretanha, a região do oeste de França onde nasceram os tão famosos crepes.

Por apenas 17 euros comemos um enorme ‘crêpe complète’, com fiambre, queijo e ovo estrelado. Para beber, uma bela cidra em canequinhas pitorescas. Para sobremesa novamente crepe, desta vez com chocolate (estamos viciados, é um facto). No fim, um cafezinho tamanho XL… que saudades de uma bela bica! Mas o melhor de tudo neste pequeno restaurante é mesmo a casa banho. Uma vaca e uns gatos pintados na parede fazem-nos companhia durante as necessidades mais básicas.

Até gastar as solas dos sapatos

Durante a tarde foi um corropio: visitámos a basílica de Sacré Coeur, o Moulin Rouge, a Ópera, a Praça Vendôme, o jardim de Tuileries, a Concorde, o exterior do Museu d’Orsay e o Hôtel de Ville. Tudo isto a pé. O Nuno já ameaçou apertar-me o pescoço umas quantas vezes, mas a ideia é mesmo esta: fazer tudo a baixo custo.

À noite encontrámo-nos com outros 'couchsurfers'. Connosco, eram oito pessoas, de cinco nacionalidades diferentes: dois holandeses, dois franceses, dois portugueses, um argelino e um australiano. A experiência multi-cultural é fabulosa. Um jantar, num restaurante grego, onde tínhamos permissão para partir pratos, uma noitada numa discoteca (onde as mulheres não pagam) e já não aguentávamos mais as pernas.

Mudança de sofá

Antoine, um dos membros parisienses mais activos, ofereceu-nos o seu sofá. Além de nós os dois, tinha ainda em sua casa o rapaz australiano. Jesse, de apenas 21 anos veio conhecer a Europa e até já pretende ficar por cá uns tempos. Para uma mulher, o grande problema de partilhar o espaço onde se dorme é, sem sombra de dúvidas, o barulho daqueles que ressonam. Valeu-me o cansaço.

Acordar hoje com o cheiro a croissants e baguetes quentinhas foi muito agradável. Estes pequenos mimos são comuns a quem oferece o seu sofá. O Antoine deu-nos uma boleia até ao centro da cidade e demos mais umas voltas por alguns dos sítios que nos faltava visitar. Fomos a Notre Dame e, embora não seja uma pessoa muito virada para a religião, confesso que me senti esmagada pela sua dimensão e beleza. Para o fim, ficou a Torre Eiffel. Sem dúvida uma das melhores imagens que se leva de Paris.

Já com saudades de Paris

Esta noite ficamos novamente em casa da nossa grande anfitriã Aline. Enquanto bebemos um bom chá, preparamo-nos para dormir porque amanhã o dia começa bem cedo… à boleia até Amesterdão.

Cidadão Repórter

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