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Expresso

Pela Europa com 500 euros

À boleia até Amesterdão

Quando não se tem muito dinheiro para gastar e a vontade de conhecer outras cidades é muita, andar à boleia pode ser uma boa hipótese. Foi assim que deixámos Paris e seguimos para a Holanda.

Não se assustem: para apanhar boleia já não é preciso andar a estender o dedo à beira da estrada. Basta ter um computador com Internet e visitar um site como o ‘Hitchikers.org’. Foi o que fizemos há cerca de um mês atrás, quando começámos a planear esta viagem.

Embora em Portugal o conceito não seja ainda muito conhecido, as ‘agências de boleia online’ são muito comuns no centro da Europa. Qualquer pessoa pode deixar no site o percurso que vai fazer, com a hora, a data e o número de lugares que tem disponível no seu carro.

Por apenas 25 euros (menos 60 euros do que o bilhete de comboio), entrámos no carro de Daniel, um engenheiro alimentar holandês, e fizemos uma viagem de cinco horas até Roterdão. Simpático, mas pouco conversador, explicou-nos que decidiu adoptar este sistema há dois anos, quando começou um relacionamento amoroso com uma francesa. Todos os fins-de-semana vai a Paris e é nas boleias que arranja alguma ajuda para as despesas da viagem. Desde estudantes a viajantes, já passaram pelo seu carro pessoas das mais variadas nacionalidades, como canadianos a croatas. Nós fomos os primeiros portugueses (confundidos com espanhóis, o que deixou o Nuno logo irritado).

Amesterdão, aqui estamos nós

Ao fim da manhã chegámos à estação ferroviária de Roterdão onde apanhámos um comboio até à capital holandesa. Uma vez que Paris foi um destino um bocado caro, decidimos começar a apertar os cordões à bolsa e fazer o caminho de mais de meia hora a pé até ao hotel. Com a mochila de campismo às costas, acreditem que a tarefa foi penosa.

Mais penoso ainda foi o que nos esperava no Hotel Marnix. Ao fim de três dias em sofás tínhamos decidido que merecíamos uma noite mais calma. O quarto, de apenas 18 euros por noite, foi reservado pela Internet (para ser mais barato) também há um mês. O preço era bastante em conta, mas quando a esmola é muito o cego deve desconfiar. A verdade é que vamos ter de partilhar a sanita com o resto do hotel. O quarto é tão pequeno que mal há espaço para as duas camas. Quanto aos lençóis, embora aparentemente sejam lavados, já decidimos que vamos dormir nos sacos-cama.

Inspirados por Van Gogh

Uma boa gargalhada resolve tudo e há que manter o espírito. Para nos animarmos fomos visitar um dos museus que eu mais ansiava nesta viagem: Van Gogh Museum. Não foi muito barato (dez euros cada entrada, sem desconto para jovens), mas vale definitivamente a pena.

Por agora, os meus lábios gritam desesperadamente por um batom do cieiro. Tentei comprar um em Paris mas pediram-me sete euros, um luxo que não dá para o nosso reduzido orçamento. Vamos agora procurar um supermercado e depois relaxar numa coffeshop… a beber um bom chá, é claro!

 

VAMOS A CONTAS

Quanto custaram três dias em Paris:

 

Primeiro dia

 

- Avião Porto-Paris (Beuvais):

€ 39,98

- Navete até ao centro de Paris:

€ 13,00

- Um menu baguete ao almoço:

€ 05,70

- Uma carteira de dez bilhetes de metro, divida por dois. A cada um deu:

€ 05,50

- Uma 'kebab' para o jantar:

€ 05,60

Segundo dia

 
- Um bilhete diário para a rede de metro, preço sub-26: € 03,60

- Uma refeição completa numa creperie típica:

€ 17,00

- Um menu de comida grega para o jantar:

€ 12,00

- Oferecer o jantar ao 'couchsurfer' que nos acolheu, a dividir por dois. A cada um deu:

€ 06,00

- Uma cerveja na discoteca:

€ 04,00

Terceiro dia

 

- Um crepe e um chocolate quente ao lanche:

€ 07,00

- Sanduíche libanesa e refrigerante para o jantar:

€ 08,00
TOTAL dos três dias em Paris: €127,38