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Expresso

Cannes 2008

Cannes já entrou na segunda metade, Oliveira recebeu bonita homenagem

Hoje é dia de Clint Eastwood: a obra-prima que (ainda) falta à Competição?

Francisco Ferreira, enviado a Cannes

Manoel de Oliveira recebeu ontem, em Cannes, uma Palma de Ouro de homenagem ao seu trabalho. A cerimónia teve a simplicidade dos justos. Foi conduzida pelo "seu amigo" Gilles Jacob, o já lendário presidente do festival. O próprio Jacob mostrou uma curta-metragem sobre a vida do realizador, Un Jour dans la Vie de Manoel De Oliveira, seguindo-se a passagem de Douro, Faina Fluvial (primeira obra do cineasta português), que já atravessou setenta e sete anos de vida sem envelhecer uma ruga (foi realizada nesse longínquo ano de 1931!).

Agora que Oliveira esta prestes a contornar a barreira dos cem anos, no próximo mês de Dezembro, todos falam dele. As homenagens sucedem-se, com toda a justiça, mas nem por isso se fala mais dos seus filmes. E Oliveira continua a fazê-los, continua a trabalhar: isso será sempre o mais importante.

Na Competição, James Gray deixou-nos um filme romântico e surpreendente com Joaquin Phoenix e Gwyneth Paltrow. É mais um filme de família, tema já claro nesta edição de Cannes 2008. Phoenix, filho único de uma família de judeus russos estabelecidos em Nova Iorque, hesita em seguir o caminho que a família lhe aponta. Pelo meio, apaixona-se pela rapariga errada, uma Gwyneth melancólica e doce. Digamos, para já, que Two Lovers (assim se chama) tem todos os clichés do melodrama, o que não é necessariamente mau. E é o mais clássico dos filmes que Cannes já viu até agora, o que não é necessariamente bom. Por mim, prefiro um Gray a filmar mafias, polícias e ladrões. Mas Gray está no topo da sua forma, em relação a isso não há dúvidas.

Sobre Jean-Pierre e Luc Dardenne: desilusão. Mais uma. Le Silence de Lorna é um "best of" dos seus filmes. Desta vez, os manos belgas descobriram uma actriz do Kosovo que se parece a Rosetta, levaram-na para os arredores de Liège e colocaram o actor de A Promessa (Jérémie Renier) na pele de um toxicodependente. O argumento desta história com casamentos de emigrantes de leste que procuram a todo o custo um passaporte da Europa Comunitária é uma teia confusa. Em relação ao cinema, os Dardenne limitam-se a sublinhar o seu próprio gesto estético.

Ou seja, ainda não há obras primas no horizonte. Talvez se encontre uma destas em The Exchange, o novo filme de Clint Eastwood. Vamos vê-lo agora.