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O EXPRESSO junto da comunidade portuguesa em Great Yarmouth

Portugueses são a principal força de trabalho

A Bernard Matthews considera que portugueses são bons trabalhadores.

Em quase todas as famílias há alguém que trabalha para a empresa, que já trabalhou, ou que tem um familiar empregado, ou em «lay-off», na Bernard Matthews.

Ao Expresso, o gabinete de imprensa da Bernard Matthews justificou, por e-mail (a empresa não quis conceder nenhuma entrevista), a escolha da força de trabalho portuguesa: "Em Portugal há bons trabalhadores disponíveis que querem vir trabalhar para a Grã-Bretanha". A empresa diz, ainda, que o baixo nível de desemprego dificulta o recrutamento de cidadãos ingleses.

A Bernard Matthews esclarece, também, que não fez nenhum acordo com o governo português para importar mão-de-obra, apesar de frisar o bom entendimento com o Consulado Português.

Recrutamento é confidencial

A aventura inglesa, para a grande maioria dos funcionários da Bernard Matthews, começou quando responderam a um anúncio de jornal para virem trabalhar para Inglaterra.

Todo o processo de recrutamento se passa em Portugal, na grande maioria dos casos em Lisboa. "As entrevistas são feitas em Lisboa por uma equipa portuguesa, mas também há uma enfermeira inglesa", diz Hilda Silva uma funcionária em «lay-off». É nesta primeira entrevista que os portugueses são informados das condições de trabalho que vão encontrar em Great Yarmouth.

A empresa não divulga os critérios de selecção porque os considera confidenciais, mas os trabalhadores contam que não são aceites pessoas com dentes chumbados, por exemplo. O inglês também não é um requisito essencial, visto que a maior parte só fala português.

Passada a fase de selecção, os portugueses pagam um bilhete de avião entre 140 e 160 euros e rumam com destino a Great Yarmouth, para trabalhar ou na fábrica de Holton, ou na de West Witchingham, as duas a cerca de meia hora de distância.

É também a empresa a responsável pela primeira residência dos emigrantes. Os trabalhadores ficam instalados nas várias pensões que existem em Great Yarmouth e pagam entre 50 a 70 libras semanais.

Capacetes amarelos

Na cadeia hierárquica da Bernard Matthews, os portugueses estão representados em maior número nos capacetes amarelos, os trabalhadores básicos. Seguem-se os vermelhos, que são treinadores/intérpretes; os verdes, que são verificadores de qualidade do produto; os cinzentos, que são os responsáveis pelas máquinas; os azuis são funcionários da limpeza; e os brancos pertencem às chefias.

Redução de salário

A Bernard Matthews não sabe ainda quando vai readmitir, e se vai readmitir, os trabalhadores dispensados. Tanto ao Expresso, como nas cartas enviadas aos funcionários, a empresa garante que está a fazer tudo para recuperar produção para os postos de trabalho. Resta aos emigrantes candidatarem-se ao «income joseeker's allowance», para pessoas que estão à procura de trabalho. Apesar de ter alguns critérios definidos, o subsídio é sempre atribuído caso a caso, tornando possível que, nalguns casos, se um dos membros do casal estiver a trabalhar, o outro não tem direito a receber subsídio, como é o caso de Hilda Silva, que tem o marido empregado na fábrica.

 

Tabela do 'income jobseeker´s allowance'

Pessoas solteiras

16 a 17 anos – €34,60

16 a 17 anos a viver fora de casa em determinadas circunstâncias – €45,50

18 a 24 anos – €44,50

a partir de 25 anos – €57,45

Por casal

Os dois com 16-17 anos – e34,60

Os dois com 16/17 anos, mas com deficiência – €45,50

Os dois com 16/17 anos e com uma criança a cargo – €68,65

Um cônjuge com 16/17 e outro entre 18-24 anos – €45,50

A partir dos 18 anos – €90,10