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O EXPRESSO junto da comunidade portuguesa em Great Yarmouth

Aprender inglês para procurar trabalho

A comunidade portuguesa procura ajuda em centros de apoio social, para se integrar no mercado de trabalho inglês.

É quase meio-dia, e no pátio do Prioriy Centre, em Great Yarmouth, a língua que mais se ouve falar é o português. A razão é simples, é quarta-feira, dia da semana em que o centro social tem aulas de inglês para estrangeiros.

"A grande maioria das pessoas que cá vêm são portugueses, cerca de 95%. Mas também temos alguns polacos e húngaros", explica Rosie Marler, uma das responsáveis do Great Yarmouth Comunity Trust Center, que gere o Priory Centre.

E, como em qualquer outro sítio "português" em Great Yarmouth, a situação dos dispensados pela fábrica Bernard Mathwes, é assunto comentado, até porque as aulas são frequentadas por alguns portugueses que se encontram sem trabalho e sem salário.

Rosie diz mesmo que o número de alunos de inglês tem aumentado, gradualmente, assim como aumenta o número de «lay-offers». "É natural, porque as pessoas começam a procurar qualificações para terem menos dificuldade em arranjar emprego."

Paula Castro, uma das professoras de inglês do curso e também ex-funcionária da Bernard Mathews, diz que nas suas aulas não nota mais alunos, "talvez isso se verifique nas aulas da noite" [o centro dispinibiliza aulas de noite duas vezes por semana], mas sublinha que as pessoas se voltam para o centro porque não têm a quem recorrer.

"Muitas vezes as pessoas vêem pela companhia, pelo convívio, estão aqui sozinhas e não têm mais ninguém", diz Paula, enquanto ajuda um jovem casal dispensado em «lay-off», a preencher papéis do centro de emprego.

O medo de represálias para arranjar novo trabalho, impede-os de se identificarem, mas contam que ficaram os dois sem emprego e sem forma de poderem pagar a renda de casa. Uma semana antes de serem dispensados, alugaram uma casa, e gastaram todas as economias a mobilá-la. Agora continuam a aprender inglês para arranjar outro trabalho.

Refeições depois das aulas

A ajuda do Priory Centre não se fica pela aprendizagem do inglês. Depois de cada aula,  todas as pessoas têm direito a uma refeição. E essa foi mesmo a razão que levou alguns portugueses, em «lay-off», a frequentar o centro.

No entanto, a maioria revela que o principal objectivo é conseguir comunicar em inglês. "Não estou em 'lay-off', mas devo ficar esta semana, mas não é por isso que vim aprender inglês", revela um emigrante português, com cerca de 50 anos, que como todos os outros, prefere não ser identificado.

"Nós aqui não ensinamos só inglês, acabamos sempre por ajudar a preencher papéis para emprego, ou a fazer traduções", diz Paula. E sublinha que Portugal tem apenas representação diplomática em Londres e em Manchester. "A maior parte das pessoas não tem dinheiro para se deslocar tão longe, nem sabe falar inglês para o fazer".

Até o próprio centro de emprego de Great Yarmouth pediu ajuda a Rosie Marler, sobre programas de aprendizagem da língua inglesa, para tentar combater a barreira linguística com a comunidade portuguesa.

Há ainda workshops para completar a formação profissional dos emigrantes, onde podem aprender primeiros-socorros, higiene alimentar e segurança no trabalho.

O objectivo é receber e integrar todos aqueles que escolheram a Inglaterra para sua casa e, neste caso, a maioria são portugueses.

Além do Priory Centre, existem outras associações que podem prestar ajuda à comunidade portuguesa. O grupo Heróis do Mar, um grupo português, desenvolve um projecto de apoio às minorias, e oferece-se para ajudar a fazer os curricula vitae, a procurar emprego, a fornecer cursos de aprendizagem e aconselhamento sobre carreiras.