Siga-nos

Perfil

Expresso

Pobreza no Porto

Quando não há nada para comer

Não há pobreza extrema em Portugal. Contudo, há cada vez mais pessoas a recorrerem a redes sociais e instituições para terem de comer.

Pedro Neves

Há cada vez mais gente que recorre a abrigos como a 'Porta Amiga', da Assistência Médica Internacional (AMI), para fazer as suas refeições diárias. Gente que já teve uma vida normal ou até acima da média. Hoje, são cada vez mais os que procuram uma refeição que não podem pagar do seu próprio bolso.

Na 'Porta Amiga', no Porto, de Janeiro a Novembro deste ano, já foram servidos almoços e jantares a cerca de 500 pessoas diferentes, com uma média de 3.000 refeições mensais. Os utentes têm rendimentos que rondam a média de 2 a 3 euros diários.

Estes números referem-se apenas ao centro do Porto. Com a crise e o desemprego a aumentarem, espera-se que muito mais gente venha a recorrer a estes serviços sociais. "Estas instituições e as redes sociais solidárias, sejam amigos ou vizinhança, vão sendo as almofadas que fazem com que as pessoas não caiam na pobreza extrema", explica Cristina Andrade, coordenadora da AMI, no Porto. "Há ainda os casos da pobreza envergonhada, que são as muitas pessoas que passam dificuldades mas não se apresentam aqui ou aos vizinhos", acrescenta Cristina Andrade. A lotação esgotada, os pedidos a aumentar e que não podem ser atendidos e os donativos, com o agravamento da crise financeira, a cairem tanto em quantidade como em periodicidade, fazem com que o futuro não prometa nada de bom.