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Expresso

Pobreza no Porto

Pobre será sempre pobre

Num dos mais problemáticos bairros da cidade do Porto, gente como a D. Zulmira vive com baixas reformas associadas a problemas de saúde e à vergonha de pedir fiado para sobreviver.

Pedro Neves

O Lagarteiro, no Porto, é um dos bairros mais problemáticos da cidade. As casas estão degradadas, o desemprego afecta grande parte da população, a toxicodependência é um flagelo a que há muito os morados se habituaram a conviver. Há falta de equipamentos sociais, como infantários, lares de terceira idade, jardins ou outros espaços de lazer. Ali mora uma comunidade diversa. O aspecto exterior denuncia as dificuldades. Quando foi inaugurado, em 1973, era constituído por nove blocos de habitação familiar. Hoje, o Lagarteiro tem 13 blocos com 446 fogos. É o bairro mais periférico da cidade e está enclausurado entre a Via de Cintura Interna e a Estrada da Circunvalação. É um "gueto" onde vivem cerca de 2200 pessoas. Há um elevado estigma social, associado à delinquência juvenil, às baixas reformas, à desafeição pelo trabalho, à precariezação das profissões, à baixa escolaridade, à vergonha. No bairro, os problemas intensificaram-se depois da transferência de alguns dos moradores do bairro S. João de Deus quando este começou a ser demolido. Há muito que se fala na melhoria das condições do bairro. O Programa Bairros Críticos, coordenado pelo Instituto Nacional de Habitação, poderia ajudar a dar um novo rumo ao Lagarteiro mas as propostas que previam a construção de novos equipamentos já caíram. O Programa contempla 25 milhões de euros para a requalificação de três bairros problemáticos Cova da Moura (Amadora), Vale da Amoreira (Moita) e Lagarteiro (Porto). Até lá, os moradores que têm vivido com promessas adiadas de ajuda, vão ter de continuar a viver como podem: com muitos problemas.