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Expresso

Pobreza no Porto

O estilhaçar do trabalho

Têm idênticas proporções. Quando o desemprego aumenta arrasta com ele o desespero, a angústia e a frustração. Abílio Costa levanta-se às 7h e começa a procurar emprego. Está inscrito em 23 cursos técnico-profissionais. Há cinco anos que não consegue trabalho.

Pedro Neves

O desemprego aumentou em todo o país. Hoje, 8,4%(*) da população portuguesa está desempregada. No segundo trimestre de 2008, foi no Norte que se registou a maior subida (0,9%) e onde se encontra a maior parte da população desempregada (9,4% - um ponto percentual acima do resto do país).

Abílio é uma entre as muitas pessoas afectadas pelo desemprego na Região Norte. Recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) mas nunca se acomodou. Sente-se magoado, revoltado, envergonhado, estigmatizado. Não baixa os braços mas desespera. Tem 43 anos e não sabe o que o futuro lhe reserva. "Aos 43 anos já não se pode ter direito à vida?", questiona.

Está inscrito em todos os centros onde se podia inscrever. De 2003 para cá fez oito cursos e está inscrito em mais 23. De nada lhe têm adiantado. Vale-lhe a irmã, com quem vive, e o RSI que acaba depressa. Bate porta a porta, pedindo o trabalho que não cai do céu. As portas vão-se fechando. Outras nem se chegam a abrir.

Abílio espera e desespera. Mas recusa-se a baixar os braços ou a esperar sentado. O futuro é uma incógnita, demasiado incerto e pouco promissor.