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Expresso

Pobreza no Porto

O céu como tecto

José Luís, 38 anos, vive há vinte na rua. Dorme onde pode. Tem medo quando o vento bate forte durante a noite e agarra-se a uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que encontrou no lixo.

Pedro Neves

Não faltam pessoas sem tecto na cidade do Porto. Gente sem lugar fixo, sujeita às condições climáticas, aos perigos da noite e do dia.

José Luís, 38 anos, vive há vinte na rua. Dorme onde pode. Tem medo quando o vento bate forte durante a noite e agarra-se a uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que encontrou no lixo. Não tem nada a ganhar ou a perder.

Depois da morte do pai ficou sem casa, sem amigos, sem quem gostasse dele. Para sobreviver, pede para uma "senhora amiga", faz biscates, toma conta de obras por 100 euros por mês.

Só em Setembro deste ano, José Luís teve o seu primeiro bilhete de identidade. Sente-se só, sem ninguém com quem estar, sem motivos para sorrir.

Vive numa fábrica abandonada. Abandonado.