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Expresso

Pobreza no Porto

Na mais profunda solidão

São idosos com reformas baixas. Vivem sós, com dificuldade em encarar o futuro, com muitas saudades do passado.

Pedro Neves

Arménio Costa tem 75 anos. Vive num quarto de uma pensão, no Porto. Foi agricultor, trabalhou na construção civíl. Fez descontos para a Segurança Social mas os patrões nunca os entregaram. Resultado: uma reforma de 350 euros por mês. Destes, 175 vão para pagar o quarto, 20 para o passe, 40 para almoços no Centro Social de Campanhã, o resto para medicamentos. Não tem dinheiro para um galão ou uma torrada.

Como tantos outros idosos, Arménio é doente e vive sozinho. Quer que o que lhe resta da vida passe depressa, pois do futuro não espera nada.

Arménio tem uma vida triste. Tão triste que o faz desejar a morte. Sente-se só, demasiado só. E mais do que só, sente-se abandonado. A família que lhe resta está fora do país e há mais de 20 anos que se incompatibilizou com ela.

Tem amigos de dia, quando vai até à Rua de Santa Catarina de autocarro e se senta no clima ameno do centro comercial ou num banco a apanhar sol.

Tem artroses nas pernas e nas mãos. Sofre. Tudo lhe dói. Mas nada lhe dói mais que a solidão.