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Expresso no Quénia

Conversa difícil

Até ver, a violência nas ruas abrandou, dando lugar à mediação. Joaquim Chissano, o ex-presidente de Moçambique, faz parte da equipa de negociadores.

Fernando Jorge Pereira, enviado ao Quénia

O diálogo entre o Presidente Mwai Kibaki, do Quénia, e o seu rival no escrutínio de 27 de Dezembro último, Raila Odinga, não será para já. À proposta do chefe de Estado, para um encontro entre ambos, na próxima sexta-feira, a fim de serenar os ânimos após a violência pós-eleitoral que já provocou cerca de 600 mortos e centenas de milhar de refugiados, Odinga, líder do Movimento Democrático Laranja (ODM, na sigla inglesa), respondeu negativamente, e declarou que a mediação deve continuar.

A hora é de bons ofícios entre as partes, conduzidos oficialmente pelo presidente em exercício da União Africana (UA), John Kufuor, e Presidente do Gana, assim como por quatro personalidades da África Austral, entre os quais o ex-presidente de Moçambique Joaquim Chissano.

Nos bastidores, as grandes potências ocidentais continuam a pressionar os dois adversários a sentarem-se à mesa das negociações. Barak Obama, candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, que tem uma costela queniana, também deu um "empurrão", telefonando a Odinga. O pai de Obama, já falecido, é Luo, tal como o líder da oposição queniana.

Hoje, o ministro das Finanças, Amos Kimunya, anunciou que os tumultos da semana passada provocaram prejuízos materiais no valor de 700 milhões de euros. As zonas mais fustigadas foram Nyanga e Rift Valley, a rica zona dos planos, no Oeste.

  • A reeleição do Presidente do Quénia, Mwai Kibaki, despoletou a crise sem fim à vista. A oposição e a comunidade internacional duvidam da legalidade dos resultados. Mas enquanto os EUA e a UE pedem um governo de unidade, os grupos rivais digladiam-se nas ruas.

  • Chegaram ao Quénia os primeiros camiões com comida para amenizar a fome dos milhares de deslocados quenianos. A ajuda humanitária começou a ser distribuída esta segunda-feira.

  • Depois de ter encontrado um raro multibanco com dinheiro, juntei-me aos meus amigos "mzungos" (homem branco, em swahili) que se encontravam na interminável fila da única bomba de gasolina que, num raio de centenas de quilómetros, ainda tinha combustível. Ao fim de cerca de três horas de espera, lá chegou a nossa vez - para conseguir meia dúzia de litros de gasolina...