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Expresso

Diário de um repórter do EXPRESSO em São Tomé

O susto

E se de repente um candidato decidir instigar a assistência contra os jornalistas presentes. Isso é um susto.

NUM PAÍS onde prevalece o «leve leve», lema que serve para descrever os brandos costumes do povo são-tomense, surpreendeu a atitude agressiva do Presidente Fradique de Menezes, candidato a um segundo mandato nas eleições deste domingo.

Há seis dias, iniciou um discurso de campanha, perante uma audiência de largas centenas de pessoas, atacando verbalmente jornalistas portugueses. Acossado por uma notícia difundida pela RDP e RTP África, que aparentemente não lhe agradou, num tom ríspido lançou a pergunta ao povo ali presente. «Estão aqui jornalistas de Portugal. Querem que eles fiquem?»

O tiro saiu-lhe pela culatra, uma vez que as pessoas desataram num ruidoso «siiiim!», confundindo a provocação com uma suposta tentativa de saudação.

Os repórteres ficaram gelados. «É que naquele momento, qualquer acto irreflectido podia tornar-se incontrolável. Foram palavras que poderiam ter incitado a violência», desabafou uma das visadas. Desde então, nenhum outro episódio semelhante ocorreu.