Siga-nos

Perfil

Expresso

Aumento de impostos

Sócrates justifica mudança de posição

Primeiro-ministro "sempre esteve convencido" de que não seria necessário o aumento de impostos. "Com tudo o que aconteceu nos últimos dias" mudou de ideias. Hoje, José Sócrates explicou aos portugueses porquê. (Veja vídeo SIC no final do texto) Clique para visitar o dossiê Aumento de impostos

Cristina Figueiredo (www.expresso.pt)

Raras vezes o primeiro-ministro marcou presença na conferência de imprensa que se sucede à reunião semanal do Conselho de Ministros. Na última vez que José Sócrates descera à sala de imprensa instalada no rés-do-chão do edifício da Gomes Teixeira foi para dar uma boa-nova: anunciar a diminuição da taxa do IVA de 21% para 20%. Hoje foi lá fazer o contrário: anunciar o aumento generalizado de impostos, IVA, IRC e IRC.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ AUMENTO DE IMPOSTOS

"Medidas indispensáveis e necessárias para a defesa da credibilidade e confiança da economia portuguesa. Mas também para defenderem o euro e a zona euro". "É nosso dever e responsabilidade fazer este esforço adicional". "Espero que todos compreendam", disse José Sócrates, numa conferência com as perguntas dos jornalistas limitadas aos representantes das três estações de televisão.

Um ano e meio de (maior) austeridade

E foi porque a TVI lhe perguntou, que José Sócrates respondeu à pergunta que todos tinham em mente: quando tempo vão vigorar estas "medidas adicionais"? "Um ano e meio. Até final de 2011", respondeu, por fim, o primeiro-ministro, garantindo que o pacote hoje aprovado em Conselho de Ministros (com o assentimento, acordado hoje de manhã, do principal partido da oposição) foi pensado para "ter o menor efeito recessivo possível" e assegurando que o Executivo não está a pensar "em mais nenhuma medida".

Interrogado depois sobre a evidente mudança de posição por parte do Governo, que até há poucos dias recusava a hipótese de aumentar os impostos, José Sócrates confessou-se obrigado a tanto pelas "condições internacionais": "Sempre estive convencido de vque era possível fazer este ajuste orçamental sem recurso a aumento de impostos", disse.

"Com tudo o que aconteceu nos últimos quinze dias", deixou de ser possível, justificou. "O mundo mudou, e de que forma, nos últimos quinze dias".

O papel do PSD

Por duas vezes, ao longo da meia hora da conferência de imprensa, José Sócrates referiu-se ao papel do PSD na aprovação destas medidas. O primeiro-ministro sublinhou "o esforço de convergência e compromisso por parte do PSD". "É da maior importância para o país", disse, lembrando que o Governo, porque não dispõe de maioria absoluta no Parlamento, "precisa dessa concertação e compromisso".

O primeiro-ministro assumiu depois ter cedido ao PSD na aprovação da medida (que há dias qualificava como "populista", num debate na Assembleia da República) de cortes de 5% nos salários dos políticos e gestores públicos. "É uma medida com efeito simbólico", afirmou, revelando que ele próprio nunca esteve "muito de acordo com as medidas puramente simbólicas. Sou mais pelos resultados". Mas, concluiu José Sócrates, a bem do "espírito de compromisso": "Não seja por isso".