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Especial OPA

"O regulador não deve aceitar este plano"

Grupo liderado por Ricardo Salgado não foi seduzido por oferta de dividendos anunciada por Paulo Azevedo.

A guerra continua a dois dias da assembleia-geral que vai decidir o futuro da maior Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Sonaecom sobre a PT. Ao início da noite de ontem, o grupo liderado por Paulo Azevedo tornou pública a sua decisão de igualar a oferta anunciada há uma semana pela administração da PT em termos de distribuição de dividendos.

Com a assembleia pendurada pelo sentido de voto de um núcleo de accionistas próximos do Banco Espírito Santo, a Sonae avançou com uma proposta ousada: quem quiser manter as suas acções na maior operadora nacional de telecomunicações e ainda terá direito a receber a sua parte num pacote de dividendos avaliado em 5,7 mil milhões de euros entre este ano e 2010.

A oferta, equivalente a 5,1 euros por acção, está, contudo dependente de várias condições, como sejam a obtenção pela Sonaecom de pelo menos 60% do capital da PT na OPA, assim como da existência de fundos disponíveis resultantes da actividade da PT e da alienação de activos e outros processos de reestruturação que permitam a libertação de capital a distribuir entre os accionistas.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) encontra-se reunida para avaliar a proposta da Sonaecom que terá ser incorporada numa adenda ao prospecto da operação sobre a PT. O regulador do mercado de capitais já respondeu, contudo, ao requerimento interposto na passada sexta-feira pela administração da PT, questionando da possibilidade de a Sonaecom alterar as contrapartidas oferecidas aos accionistas. A instituição liderada por Carlos Tavares foi peremptória: não é possível mudar as condições, para além dos 10,50 euros oferecidos por cada acção da PT.

A batalha promete continuar porque as primeiras reacções de accionistas como o BES ou a Ongoing são claras no sentido de recusarem as ofertas da Sonaecom. Em declarações ao Expresso, fonte oficial do BES disse que «a posição do grupo permanece inalterada». Mais violenta é a reacção de Nuno Vasconcellos, da Ongoing, que alerta mesmo para o que diz ser «a falta de credibilidade das propostas da Sonaecom» e para a necessidade de «a CMVM recusar este novo plano por se tratar de uma manobra de manipulação de mercado». Classificando a oferta ontem anunciada como «um tiro de desespero para ver se pega», Vasconcellos. O gestor garante, por isso, que «ser óbvio que não venderei as minhas acções porque não acredito no que a Sonaecom diz». Até porque, explica, esta nova proposta «continua a ser pior do que a da administração da PT, que mantém a integridade do grupo PT, para além do plano de dividendos».