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Expresso

Crise financeira nos EUA

Ministro admite retirar garantias aos bancos

Num cenário extremo de os bancos não concederem empréstimos às empresas, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos admite retirar as garantias concedidas.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admite que, no limite, o Governo pode vir a retirar as garantias que deu à banca se as instituições não fizerem chegar o crédito às empresas.

Questionado ontem pelos jornalistas à saída de um jantar organizado pelo Clube do Chiado, em Lisboa, sobre a possibilidade de o Estado vir a retirar as garantias que deu à banca no âmbito da actual crise financeira, Fernando Teixeira dos Santos disse que esse "poderá ser um cenário extremo".

"Havendo incumprimento das condições da garantia", esse é um cenário que se poderá verificar, clarificou o ministro.

O Governo disponibilizou em Novembro um pacote de 20 mil milhões de euros de garantias à banca, para as instituições conseguirem obter mais facilmente financiamento no exterior e, assim, continuarem a fazer escoar o financiamento para as empresas e para as famílias.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças já tinham feito um apelo à banca para que esta emprestasse mais dinheiro às empresas, de forma a reabilitar a economia portuguesa, numa altura em que se multiplicam as queixas de que, apesar das linhas de crédito abertas, o financiamento continua a não chegar às empresas.

"Temos que exigir aos bancos, com base nas garantias", que emprestem dinheiro às empresas, acrescentou ontem à noite Teixeira dos Santos, notando que é preciso "recordar-lhes que obtiveram garantias para concederem crédito".

Quanto à possibilidade da Caixa Geral de Depósitos vir a servir como braço do Estado para fazer chegar o crédito às empresas, o ministro das Finanças admitiu que o executivo está a "usá-la para fazer" pressão sobre o mercado.

"A Caixa é uma instituição que está presente no mercado mas tem consciência das suas responsabilidades; é solidária com o Governo em assegurar o financiamento às empresas", disse Teixeira dos Santos.

"Quando tudo corria bem [no sistema financeiro], os bancos fidelizavam os seus clientes; será que os bancos não têm [agora] também que ser fiéis aos seus clientes?"., questionou o governante.

Durante o jantar, o ministro explicou ainda que o Estado não está a intervir no caso da fraude Madoff, apesar das suas repercussões no mercado português, já que os impactos ocorreram fora dos balanços das instituições e que quem compra determinados produtos sabe que está exposto a um risco maior.

O BES e o Santander Totta já anunciaram que têm exposição indirecta a produtos financeiros vendidos pela sociedade de Bernard L. Madoff. Madoff foi detido no final da semana passada pelas autoridades federais norte-americanos com acusações de fraude.

Os investimentos em causa "são aplicações de risco e quem investe nestes produtos sabe que pode ganhar ou perder", referiu Teixeira dos Santos, negando que caiba ao Estado intervir em situações destas.