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Expresso

Crise financeira nos EUA

Economia mundial à beira da estagnação

A economia mundial vai crescer menos de 1% em 2009, afirma o Relatório do Banco Mundial publicado esta semana. A pior situação será vivida pela Zona Euro e os Estados Unidos que estarão em recessão. O comércio mundial vai contrair-se, o que não acontecia desde 1982.

O relatório do Banco Mundial caiu como uma bomba. A economia mundial está sem grande esperança para o próximo ano, dizem as 'Perspectivas Económicas Globais para 2009', acabadas de publicar por aquele organismo internacional.

O crescimento estimado é inferior a 1%, uma quebra em relação a este ano de 64% e de 76% em relação a 2007. Com a agravante de ser feito um aviso - não se pode descartar a hipótese que a situação já de si medíocre resvale para a estagnação pura ou mesmo para uma recessão global.

A situação de alarme deriva dos países desenvolvidos (de alto rendimento per capita) entrarem quase todos em recessão em 2009 - com as situações mais graves na Zona Euro (decréscimo de 0,6%) e nos Estados Unidos (decréscimo de 0,5%) - e dos países emergentes e em desenvolvimento sofrerem no próximo ano um abrandamento económico significativo que levará a um crescimento de apenas 4,5%, quando este ano deverá fechar acima de 6% e em 2007 cresceu quase 8% (ver quadro).

Os BRIC, em particular, sofrerão um abrandamento significativo nos casos do Brasil (desacelera o seu crescimento em 46%) e Rússia (50%) e menor nos casos da China (21%) e Índia (8%). No entanto, é preciso ter em conta que a China é hoje a terceira economia mundial. depois dos EUA e da Europa.

Este abrandamento geral vai gerar uma contracção em 2009 no volume de comércio global de 2,1%, depois de este ter crescido significativamente em alguns dos anos de ouro da última vaga da globalização - quase 10% em 2006, 7,5% em 2007 e 6,2% esperado para 2008. A confirmar-se, será uma situação que não se verificava desde 1982.

As pressões em baixa na procura mundial vão levar a uma tendência para o decréscimo anual médio dos preços das matérias-primas básicas.

As matérias-primas básicas excluindo o crude deverão ver os seus preços cair 23,2%, ao longo de 2009, em média anual, e continuarão a cair em 2010, ainda que ligeiramente. Por seu lado, o preço do petróleo cairá 26,4% em 2009, devendo depois subir ligeiramente no ano seguinte.

Como o preço médio anual do barril de Brent em 2008 deverá ser de 100 dólares, a estimativa para 2009 aponta para 75 dólares em média anual, o que significa que os preços do mês de Dezembro de 2008 (entre o mínimo de 39 e o máximo de 49 dólares o barril) não poderão manter-se tão baixos no próximo ano, no cenário desenhado pelo Banco Mundial.