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Expresso

Caos na Independente

"Tudo voltou à normalidade"

Afastado Luis Arouca, a entidade gestora da Independente nomeou um conselho reitoral. A situação que se vivia até agora "não era legítima", defenderam os seus membros em conferência de imprensa.

"Tudo voltou à normalidade". Foi desta forma que o recém-nomeado conselho reitoral da Universidade Independente (UnI), composto por Eurico Calado, Pamplona Côrte-Real e Horácio Saraiva, comentou em conferência de imprensa o afastamento do até agora reitor, Luís Arouca.

De acordo com o conselho reitoral, nomeado pela Sociedade Independente para o Desenvolvimento do Ensino Superior (SIDES), a empresa que gere a UnI, a situação que se vivia até agora "não era legítima".

"Este conselho reitoral vai acompanhar a situação académica nos próximos tempos e superar eventuais disfunções", garantiu Pamplona Côrte-Real, adiantando que os professores que tinham sido afastados já retomaram as suas funções.

Na conferência de imprensa, os responsáveis do conselho especificaram que Luís Arouca não foi destituído, mas o seu cargo foi declarado vago pela SIDES, uma vez que este se mantinha em funções, apesar de já ter terminado o seu mandato, há mais de um ano.

Na sequência da decisão do Tribunal do Comércio, que declarou ilegal o afastamento da anterior direcção, a SIDES nomeou este conselho reitoral, que vai permanecer em funções até às eleições para o cargo de reitor, que deverão realizar-se dentro de dois ou três meses.

“A decisão do Tribunal do Comércio (de Lisboa) para mim é inexistente. Dessa sentença não fui notificado, apenas me foi apresentada uma cópia de uma providência cautelar respeitante a dinheiros roubados por Rui Verde", protestou Luís Arouca, que foi posto à porta da UnI, em Lisboa.

No final de Fevereiro, o reitor da Universidade Independente demitiu Rui Verde, vice-reitor e presidente da direcção da SIDES, por alegadamente ter desviado avultadas verbas da instituição.

Com Rui Verde, foram igualmente afastadas mais 20 pessoas, entre académicos e membros da direcção da empresa, tendo as aulas sido suspensas durante uma semana.

Depois destes acontecimentos, o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, ordenou a intervenção da Inspecção-Geral do Ministério para determinar se mantém o reconhecimento da Universidade Independente e a autorização de funcionamento dos seus cursos.

As aulas foram entretanto retomadas, com uma nova equipa de vice-reitores, proposta pelo conselho científico da UnI e posteriormente aprovada pelo próprio reitor.

Da nova equipa fazem parte Montalvão Machado, deputado do PSD e secretário de Estado do Governo de Santana Lopes, Carvalho Rodrigues, considerado o "pai do satélite português", e Joaquim Reis.

A Universidade Independente nasceu há 14 anos e actualmente tem 14 licenciaturas, em áreas como Ciências da Comunicação, Psicologia, Direito, Gestão de Empresas ou Relações Internacionais. No ano lectivo de 2005/2006 estavam inscritos na instituição 2.400 alunos.

 

Lima de Carvalho quer vender acções

Amadeu Lima de Carvalho, accionista da SIDES, afirmou hoje à agência Lusa estar em negociações com Rui Verde, o vice-reitor afastado em Fevereiro, para lhe vender a sua quota de acções.

Lima de Carvalho disse estar no seu gabinete na UnI, juntamente com o seu advogado, a "tentar pacientemente chegar a um acordo com Rui Verde", no sentido de concretizar um "acordo verbal" para a compra e venda das acções.

O accionista da UnI, que está disposto a ceder a sua posição, considerou uma "vergonha" que a universidade "seja tomada de assalto", com recurso a seguranças privados e a «skinheads», dizendo que, caso chegue a acordo com Rui Verde, deixa de ter uma única acção na instituição.

Lima de Carvalho classificou ainda de "selvagem" e impróprio do século XXI que "seguranças destes ou daqueles" tomem conta da universidade, perante a passividade do Ministério do Ensino Superior, da Justiça e da Polícia.

"Acabem com este Carnaval", pediu o accionista, lamentando que, depois de a universidade ter sido tomada por seguranças e «skinheads», a Polícia Judiciária não tenha actuado para pôr cobro à situação gerada pela luta de poder em torno da UnI.