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Expresso

Caos na Independente

Rui Verde não comenta acusações de má fé

O grupo angolano que foi accionista maioritário da universidade, aponta o dedo ao vice-reitor exonerado e acusa-o de má fé na compra da UNI. Rui Verde não faz comentários.

O antigo vice-reitor da Universidade Independente (UNI), Rui Verde, recusou-se hoje a comentar as declarações de Carlos Burity da Silva do grupo angolano de investidores DEA (Desenvolvimento ao Ensino Superior SA), que o acusa de ter agido de “má fé” no negócio da compra da universidade. "O circo está montado portanto não vou tecer comentários sobre a DEA", disse Rui Verde em declarações à Lusa.

Carlos Burity da Silva, responsável do grupo DEA e actual reitor da UNI de Angola, contactado telefonicamente pela Lusa, acusou Rui Verde e o fundador accionista Amadeu Lima de Carvalho de “agirem de má fé no negócio da compra das acções”. Segundo Burity da Silva as negociações para a compra da maioria das acções da SIDES, empresa gestora da UNI, foram mantidas exclusivamente com Rui Verde e com Amadeu Lima de Carvalho.

Durante o ano de 2005 “a Universidade Independente de Angola, através do grupo DEA adquiriu 67,5 por cento de acções da SIDES, depois de as ter comprado a Amadeu Lima de Carvalho”, assegurou o angolano. Com esta aquisição, a DEA tornou-se accionista maioritário da UNI, tendo um representante seu assumido a vice-presidência da direcção da SIDES.

Carlos Burity da Silva confirmou ter na sua posse documentos que comprovam a “cedência ao grupo DEA das acções de Amadeu Lima de Carvalho”, que por sua vez as tinha recebido do vice-reitor Rui Verde, como pagamento de uma dívida. Também aqui o angolano diz ter documentos que corroboram a “entrega de acções por parte de Rui Verde a Amadeu Lima de Carvalho”.

De accionistas a credores

Segundo a mesma fonte, Rui Verde terá voltado com a palavra atrás e “as acções do grupo DEA foram impugnadas em assembleia-geral de accionistas da SIDES, porque não foram consideradas válidas para efeitos de votação, alegadamente por não estarem registadas”.

Embora a DEA tenha sido accionista maioritária da UNI durante seis meses em 2005, depois houve, segundo Burity da Silva, uma quebra de confiança e as acções foram devolvidas a Amadeu Lima de Carvalho. "Acabaram por defraudar o grupo tendo este decidido afastar-se do processo em Outubro de 2005", referiu o responsável.

Depois da DEA ter dado como concluído o negócio, Burity da Silva confirmou que neste momento, já não existe qualquer ligação entre as duas universidades. "A Universidade Independente de Angola nada tem a ver com o que se passa na instituição portuguesa e não tem intenção de interferir”, garantiu Burity da Silva.

Os tribunais estão agora a ser palco de algumas destas contendas, pois o grupo DEA, embora afirme já nada ter a ver com a UNI, diz-se credor das parcelas que pagou pelas acções. O montante envolvido permanece desconhecido, pois nenhum representante da DEA avançou números.