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Expresso

Reunião anual do FMI/Banco Mundial

"Temos muito cuidado a fazer as nossas previsões"

O responsável responde às críticas que têm sido feitas ao pessimismo das projecções de crescimento para Portugal no próximo ano. Em relação à crise financeira, Johnson aponta o dedo às agências de "rating" e defende o trabalho dos bancos centrais. 

João Silvestre, em Washington

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional garante que as previsões de crescimento para Portugal foram feitas com a máxima prudência e que são, nesta altura, as melhores estimativas possíveis com a informação disponível. "Os peritos que foram a Portugal - e eu não sou um deles - sentiram os efeitos da crise financeira e uma ligeira tendência de desaceleração", afirma Simon Johnson em entrevista ao Expresso a publicar na próxima edição.

Perante as críticas que têm chegado de Portugal por causa da revisão em baixa das projecções do Fundo para 2008, Johnson sublinha apenas que os números avançados são o resultado de um longo trabalho. "Temos muito cuidado e dedicamos muito tempo a fazer as nossas previsões", garante. Recorde-se que, em causa, está a diminuição da estimativa de crescimento de 2,1% para 1,8% no próximo ano. Precisamente na mesma semana em que o Governo apresentou o Orçamento do Estado para 2008 onde aponta para um valor de 2,2%.

"Investidores não devem acreditar demasiado nas agências de "rating""

Simon Johnson considera que a primeira fase da crise financeira que deflagrou nos mercados em Agosto já acabou, mas alerta que "as condições nos mercados monetários ainda não voltaram ao normal". Na sua opinião, a forma como a situação está a ser ultrapassada deve-se à correcta actuação dos vários bancos centrais que "injectaram liquidez sem criar pressões inflacionistas".

Pelo contrário, aponta o dedo às agências de "rating" cujo trabalho considera que terá que ser analisado com cuidado no futuro. "Estas empresas trabalham para quem vende os activos financeiros e, por isso, os investidores não devem acreditar demasiado nelas", avisa o economista.

Dólar vai continuar a cair

Em relação ao futuro da moeda norte-americana, Johnson parece não ter dúvidas que o único caminho possível é a descida: "Os EUA ainda têm um enorme défice da balança corrente e a médio prazo - nos próximos cinco anos - o dólar continua sobreavaliado e vai ter que se depreciar".

Ao mesmo tempo, defende que a China tem que desempenhar um papel fundamental na correcção dos desequilíbrios que actualmente existem na economia mundial. Para isso, recomenda às autoridades chinesas que tomem medidas para reforçar o consumo interno, entre as quais a valorização do yuan, a redução de impostos e políticas de diminuição das assimetrias regionais.

A questão chinesa foi, de resto, um dos temas da reunião do G7 de ontem. No comunicado emitido após a reunião, os membros do grupo reafirmaram que "as taxas de câmbio devem reflectir o fundamental das economias" e felicitaram a China "pela decisão de aumentar a flexibilidade da sua moeda", mas insistiram na "necessidade de permitir uma mais acelerada apreciação".