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Expresso

Reunião anual do FMI/Banco Mundial

Teixeira dos Santos quer economias medidas com câmbios de mercado

O ministro das Finanças, como presidente do Ecofin, defendeu hoje que as taxas de mercado são a forma adequada de medir os produtos internos brutos (PIB) no cálculo das quotas no FMI.

João Silvestre, em Washington

Teixeira dos Santos insistiu ontem de manhã, na reunião do International Monetary and Financial Committee (IMFC), que as taxas de câmbio de mercado são a forma adequada de medir os produtos internos brutos para efeitos de cálculo das quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ministro das Finanças, que falou em nome da União Europeia na qualidade de presidente em exercício do Ecofin, insistiu também que o PIB deve pesar cerca de 50% na nova fórmula de cálculo e a abertura em termos de comércio externo pelo menos 30%. Admitiu, ainda assim, uma correcção aos valores resultantes da aplicação da metodologia, de forma a reduzir o peso das economias avançadas e reforçar a importância das emergentes e subdesenvolvidas.

Este é, aliás, um dos objectivos da reforma em curso que se iniciou no ano passado em Singapura e que deverá ser concluída nos encontros de Primavera de 2008. Rodrigo Rato, director-geral do Fundo, e Tomaso Padoa-Schioppa, presidente do IMFC, disseram em conferência de imprensa, após o encontro, que os trabalhos estão bem encaminhados e que houve progressos significativos. No entanto, a julgar pelo comunicado, onde se lê claramente que o PIB em paridade de poderes de compra deve desempenhar um papel, poderá haver alguma dificuldade de obter consensos, principalmente perante as pretensões europeias.

Embora a Europa admita que possa haver uma correcção com base na paridade de poderes de compra, para proteger os países mais pobres, continua a insistir nas taxas de mercado por serem "a medida relevante da capacidade de cada membro contribuir para Fundo". Numa altura em que o euro está em valores historicamente elevados, medir a grandeza das economias com base em valores de mercado, significa dar um peso relativo muito superior à zona euro do que teria com base em paridade de poderes de compra. Pelo contrário, para os países mais pobres e economias emergentes, onde o nível de preços é bastante inferior, medir o seu produto a preços de mercado representa uma considerável perda de influência.

Além desta questão, Teixeira dos Santos sublinhou ainda uma outra posição importante para a União Europeia, em particular para os países da moeda única. O Ecofin quer que, no cálculo da abertura das economias em termos de comércio sejam considerados os fluxos entre países pertencentes a uniões monetárias. Ou seja, as exportações dentro da zona euro serem contabilizadas e não apenas as transacções extracomunitárias.