Siga-nos

Perfil

Expresso

Dias decisivos no BCP

Santos Ferreira deve ser hoje eleito

Os accionistas do BCP devem hoje eleger o novo conselho de administração, liderado pelo antigo presidente da CGD.

Os accionistas do BCP elegem hoje, em assembleia geral extraordinária, a administração do banco liderada por Santos Ferreira, depois de nas reuniões magnas anteriores nada terem votado e ter sido fora delas que se decidiram as saídas do anterior presidente-executivo e do fundador do banco.

Os accionistas reuniram-se em assembleia geral extraordinária anteriormente, a 6 e a 27 Agosto, mas no decorrer dessas reuniões não decidiram nada e a desordem no banco, que se vive desde Maio, agudizou-se até que surgiu, no final de Dezembro, uma solução externa.

Na primeira reunião de Agosto, uma falha informática inviabilizou qualquer votação dos accionistas e a segunda ficou esvaziada de conteúdo, com os autores das propostas a retirá-las, aparentemente numa acção previamente concertada.

Finalmente, hoje - a terceira vez em que são chamados a reunir em AG extraordinária desde o início das divisões entre accionistas e também entre membros dos órgãos sociais, incluindo a administração -, os accionistas deverão, pelo menos, votar e escolher entre duas listas candidatas á administração executiva do BCP.

Carlos Santos Ferreira, até há pouco presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), deverá ter a sua eleição garantida, já que a eleição da Administração só necessita de metade mais um dos votos emitidos na AG, onde tradicionalmente não está mais de 70% do capital.

A Eureko, com 9,96%, a Teixeira Duarte, com cerca de 6,2%, Joe Berardo, com cerca de 6,82%, a Sonangol com mais de 5,0%, a EDP, com quase 4,5%, além de um conjunto de outros accionistas com participações próximas de 1,0% cada, apoiam Santos Ferreira.

Armando Vara, também vindo da CGD, e Paulo Macedo, já quadro do BCP, são os vice-presidentes propostos nesta lista, completada por Vítor Fernandes (ex-CGD) e Luis Pereira Coutinho, Nelson Bessa Machado e José João Guilherme (quadros do BCP) Apesar da antever a derrota, a segunda lista candidata a Administração do BCP, liderada por Miguel Cadilhe, deverá ser votada pelos accionistas.

"Um consenso alargado quanto aos demais pontos da ordem de trabalhos" da AG, poderá fazer com vários sejam retirados, adiando a renovação de outros órgãos sociais do banco para a reunião ordinária anual, a realizar em Março ou Abril.

A eleição de um novo Conselho de Remuneração e Previdência e de um novo Revisor Oficial de Contas e o alargamento do Conselho Geral e de Supervisão (CGS), dos actuais 11 para 21 membros, com consequente eleição dos novos membros, são os pontos da ordem de trabalhos em relação aos quais pode ainda haver um entendimento que leve a que não sejam votados.

Outros pontos da agenda, que deverão ir a votos, são a ratificação da cooptação de membros para o Conselho Superior (conselho de accionistas) e a eleição de membros do CGS para preencher vagas entretanto ocorridas.

Recorde-se que uma dessas vagas decorre da saída, no final do ano, de Jardim Gonçalves, antigo presidente deste órgão, fundador do banco e presidente da administração até 2005.

Além desta saída, também Paulo Teixeira Pinto, sucessor de Jardim Gonçalves como presidente da administração, abandonou o cargo e o banco já depois da anterior AG.

Em Agosto, recorde-se estavam em causa propostas divergentes, umas de um grupo de accionistas então tidos como apoiantes de Paulo Teixeira Pinto que defendiam mudanças no modelo de governação e outras alterações radicais, e outras da Teixeira Duarte, que pugnavam, em resumo, por manter a situação.