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Expresso

Mundial - 2010

Sarkozy comanda revolução no futebol francês

Presidente francês faz reunião, no Eliseu, sobre a crise na selecção francesa e recebe o internacional Thierry Henry, que quer contar-lhe "tudo" sobre os bastidores da triste saga dos bleus na África do Sul.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

O chefe de Estado francês parece ter tomado consciência do unânime descontentamento dos franceses com o comportamento dos jogadores, técnicos e dirigentes da selecção nacional no Mundial sul-africano.

Para o poder francês, o extraordinário folhetim dos insultos, da greve dos jogadores, das suspensões e castigos e dos rancores no seio da selecção, bem como a má educação do seleccionador, Raymond Domenech, foram "desastrosos" para a imagem do país, que foi objecto de sarcasmos no Mundo inteiro.

Perante esta situação desastrada - a sede da Federação Francesa de Futebol (FFF) foi atacada com algumas pedras e ovos podres esta manhã, em Paris - Sarkozy decidiu assumir o comando da situação e convocou para esta tarde uma "reunião de trabalho" com o Primeiro-ministro, François Fillon,  a Ministra da Saúde e dos Desportos, Roselyne Bachelot, e a Secretária de Estado dos Desportos, Rama Yade, no Eliseu.

Diz-se, em Paris, que Sarkozy defende a demissão imediata do Presidente da FFF, Jean-Pierre Escalettes (que tem recusado demitir-se), bem como uma revolução nas estruturas do futebol francês, antes da chegada à equipa nacional do novo seleccionador, o ex-campeão do mundo, Laurent Blanc.  

Clãs religiosos e racistas?

O Presidente quer também saber em primeira mão o que realmente se passou no interior da selecção, onde se diz que existiam, entre os jogadores, clãs religiosos e mesmo racistas. E recebe amanhã de manha, no Eliseu, o ex-capitão dos bleus, Thierry Henry, que foi sempre suplente (apenas utilizado alguns minutos no derradeiro jogo) na equipa de Domenech.

Henry, que qualificou a França para a fase final do Mundial com a sua célebre mão num encontro decisivo com a Irlanda, ameaçou ontem, na África do Sul, contar "tudo" sobre os bastidores da crise. "Quando chegar a França digo tudo", afiançou o jogador. O mesmo anunciaram outros jogadores, entre eles Patrice Evra, o capitão demitido da função na partida com a África do Sul na qual foi suplente.

Henry parece ir cumprir a promessa: vai contar "tudo" mas, primeiro, ao Presidente. Os franceses esperam no entanto que ele também lhes conte "tudo" a eles. O mais internacional jogador gaulês, recordista dos golos marcados pela selecção francesa, viaja para a França num voo regular, não acompanhando a maioria da equipa, que deverá partir esta tarde discretamente da África do Sul num voo especial.