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Expresso

Mundial - 2010

O Mundial mais equilibrado no arranque

O jogo Nova Zelândia-Eslováquia foi um dos quwe terminaram empatados na 1ª jornada do Mundial-2010

Alessandro Bianchi/Reuters

Desde que há 32 países na fase final do Mundial de futebol, nunca os resultados foram tão renhidos na 1ªjornada. A globalização é uma realidade no futebol, mas concentrada nos clubes europeus. Clique para aceder ao dossiê Mundial-2010

Paulo Paixão (www.expresso.pt)

Treze jogos da 1ª jornada terminaram empatados ou pela diferença de um só golo, o maior número de partidas equilibradas no arranque da prova e a maior percentagem (81,25%) desde que o Mundial é disputado por 32 selecções.

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O actual figurino (16 jogos por jornada na fase de grupos), iniciado no França-98, vai na quarta edição. 

Na África do Sul, na ronda inaugural, apenas três desafios acabaram pela diferença de dois ou mais golos. Alemanha-Austrália (4-0) teve o maior desnível. À regra também fugiram os jogos Coreia do Sul-Grécia e Holanda-Dinamarca (ambos 2-0).  

Por comparação com França-98, Coreia do Sul/Japão-2002 e Alemanha-2006, é na África do Sul que se registaram mais empates: 6. 

Desde que o Mundial tem oito grupos na fase inicial, o segundo mais renhido na primeira jornada foi o de 1998, em França, onde 11 jogos (68,75%) terminaram empatados ou pela diferença mínima.  

O mais desigual foi o da Alemanha-2006, com nove partidas empatadas ou com um só golo de diferença (56,25% do total). Na Ásia, em 10 desafios (62,5%) as equipas dividiram os pontos ou o resultado foi tangencial. 

Mesmo em torneios só com 12 jogos na jornada inaugural (entre 1982 e 1994 a fase final do Mundial era disputada por 24 equipas) houve mais partidas com um resultado folgado do que na África do Sul (dois ou mais golos de diferença): quatro nos EUA-94 e cinco no Itália-90.

Só no México-86 as coisas foram mais renhidas, com 10 jogos equilibrados (83,3% do total). 

Campeonato de clubes europeus 

Para dois antigos seleccionadores de Portugal, António Oliveira e Artur Jorge, é evidente o "equilíbrio" verificado na primeira jornada.  

"Hoje toda a gente trabalha bem e de um modo praticamente igual", diz António Oliveira, o treinador que comandou Portugal no continente asiático. "Com as novas tecnologias, os diversos técnicos têm um conhecimento cada vez maior dos adversários". 

Oliveira destaca "um importante factor de nivelamento": "Assistimos na África do Sul a uma espécie de super-campeonato da Europa, pois quase todos os futebolistas jogam nos grandes clubes" do Velho Continente. Como nota o técnico, que foi campeão nacional pelo FC Porto, "olhamos para um jogo e vemos que muitos adversários são colegas de equipa. Os jogadores conhecem-se uns aos outros". 

"O futebol está globalizadíssimo e há uma aproximação de valores", salienta Oliveira, para quem a modalidade "globalizou-se antes de outras actividades económicas". 

Jogar pelo seguro

Para o equilíbrio da primeira jornada também concorreram cautelas excessivas. "A maior parte das selecções foram pouco arrojadas. Não se assumiu o risco", diz Oliveira. 

Entre "os que jogaram para ganhar", o ex-seleccionador aponta Alemanha, Argentina e Brasil. E destaca também o Chile, "uma equipa aguerrida". No pólo oposto, estão Portugal, Itália e Inglaterra, que se limitaram a "esperar pelos erros adversários". Um caso especial foi Espanha: "Fez tudo para ganhar, mostrou ambição e carácter, mas teve azar". 

Para Artur Jorge, seleccionador de Portugal entre 1996 e 1998, o futebol "está hoje mais equilibrado. Os fracos são menos fracos do que antigamente, e por isso acontecem menos jogos desequilibrados". 

"Toda a gente corre mais e há poucos espaços para jogar bem", diz o treinador campeão nacional e europeu pelo FC Porto. Artur Jorge orientou também as selecções da Suíça (esteve na fase final do Euro-96, na Inglaterra) e dos Camarões. Tudo somado, para o técnico, há uma "situação de que as pessoas não gostam" - jogos equilibrados e com poucos golos, equipas retraídas -, mas que acaba por ser "natural". 

Para o saldo geral da ronda de abertura também contribuiu o facto de os jogadores estarem "mais nervosos". Algo que passa com o avanço da prova, pois os atletas ficam "mais tranquilos", observa Artur Jorge.

2ª jornada com mais golos 

Reflexo da contenção da maioria das selecções e do equilíbrio da quase totalidade dos jogos, a 1ª jornada teve a mais baixa média de golos por partida de qualquer Mundial (1,56). É mesmo a primeira vez que tal valor fica abaixo dos dois golos. Esta média fora fixada em três ocasiões: 1986 (México), 1974 (Alemanha Ocidental) e 1962 (Chile). 

No entanto, como é da tradição, as segundas jornadas são mais abertas. As equipas metem mais o pé no acelerador: uns porque querem garantir desde logo a qualificação; outros porque escorregaram na primeira partida e têm de fazer pela vida. 

Em consequência, surgem mais golos. Findos os primeiros quatro jogos da ronda 2 (nos grupos A e B), a média mais do que duplicou, passando para 3,25.   

(Partidas empatadas ou com diferença de um golo)

Mundiais com 32 equipas/16 jogos

África do Sul-2010: 13 (81,25%) Alemanha-2006: 9 (56,25%) Coreia/Japão-2002: 10 (62,5%) França-98: 11 (68,75%) 

Mundiais com 24 equipas/12 jogos 

EUA-94: 8 (66,6%) Itália-90: 7 (58,3%) México-86: 10 (83,3%)