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Expresso

Mundial - 2010

Milhares fora do treino de Portugal

Apenas foram distribuídos 1600 bilhetes para o primeiro treino da seleção nacional na África do Sul. Foram muitos mais os que ficaram de fora da festa do que aqueles que a abrilhantaram. Clique para aceder ao dossiê Mundial-2010

Todos os truques e imaginação foram colocadas à prova, mas poucos conseguiram furar o sistema e assistir ao primeiro treino da seleção portuguesa de futebol na África do Sul, reservado a pouco mais de 2000 espetadores.

"Não conseguimos entrar. É injusto. Não tínhamos bilhetes. Tentamos esgueirar-nos, mas a polícia apanhou-nos. Entramos por um pequeno buraco nos portões e começamos a correr e todos a gritar 'corram corram corram'.

A polícia não sabia o que fazer. Não sabíamos se fugir para esquerda ou direita, e por isso apanharam-nos", resumiram as amigas Nicole Peres e Celeste Hockens.

À mingua de bilhetes - apenas foram distribuídos 1600, a capacidade do recinto - foram muitos mais os que ficaram de fora do centro da festa do que aqueles que a abrilhantaram, mesmo assim em número superior aos 2000: alguns ainda conseguiram aceder ao recinto sem ingresso.

Falta de informação

"Sempre foi anunciado que os bilhetes seriam condicionados aos limites do estádios e que seriam distribuídos pelas autarquias, tanto aqui como na Covilhã. A federação está extremamente satisfeita com o acolhimento, mas era impossível meter mais gente", esclareceu à agência Lusa o assessor de imprensa Onofre Costa.

Gabriela Alves queixou-se da comunicação social: "Eles não disseram a verdade. No jornal disseram que havia entrada livre para todos e afinal só houve bilhetes para quem trabalhava no governo. É uma frustração enorme, principalmente para as crianças".

A sexagenária, que se deslocou propositadamente de Pretória, a cerca de hora e meia de viagem, deixou o "marido doente em casa para ver os jogadores portugueses, mas nem a andar de uma porta para outra foi possível entrar no treino".

Sandra Fonseca e o marido vieram também de Joanesburgo com os dois filhos, mas também ficaram à porta: "Não sabíamos que era preciso bilhete. Os jornais, as televisões, ninguém nos avisou. Há milhares cá fora sem bilhete. Li que havia treino à porta aberta, mas nada mencionaram de bilhetes".

Cristiano Ronaldo é Portugal

"Disseram que era sessão aberta e não nos deixaram entrar. Estava no programa da FPF. Tiramos da Internet. Isto devia ser melhor organizado. Deviam deixar as pessoas pelo menos ver a equipa, a uma certa distância, pois aqui todos estão de boa fé, não há ninguém com maldade", disse Rui Matos, porta-voz da frustração de um grupo de 19 emigrantes lusos.

Gimna é uma menina de 11 anos de origem indiana fã incondicional de Cristiano Ronaldo, pelo que ficou desapontada por não o ter podido ver: "Se pudesse, pedia-lhe as chuterias. Ele assinava-as e depois emoldurava-as".

O pai Ackbur falou em "extrema desilusão para a família, principalmente para as crianças, para quem Cristiano Ronaldo é Portugal e Portugal é Cristiano Ronaldo".

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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