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Expresso

Mundial - 2010

Franceses aliviados com o fim do pesadelo Domenech

O seleccionador francês, Raymond Domenech, manteve-se mal-educado até ao fim e recusou cumprimentar, no fim do jogo de hoje, Carlos Alberto Parreira. Veja o vídeo no fim do texto. Clique para visitar o dossiê Mundial-2010.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

As imagens chegaram a Paris e as explicações também. Raymond Domenech recusou cumprimentar Carlos Alberto Parreira, o seleccionador brasileiro da equipa da África do Sul porque ele teria dito, antes do jogo desta tarde, que a França mão merecia estar no Mundial.

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Visivelmente, Domenech ainda não compreendeu as repercussões do vergonhoso percurso da França neste campeonato do Mundo: se recusar cumprimentar todos os que falam mal da sua selecção francesa, terá de mudar de país e, mesmo, de planeta.

No fim do jogo, os jornalistas, os comentadores, os futebolistas, os treinadores, os artistas, os políticos e os franceses em geral estavam cabisbaixos e tristes com a nova derrota do seu país na África do Sul, mas acabaram por respirar de alívio. Porque, finalmente, chegara ao fim o calvário da despedaçada equipa francesa.

Os franceses de base, entrevistados na rua e nos cafés pelo Expresso e por jornalistas franceses, pediam uma revolução na Federação; assobiavam o Presidente Escalettes, da Federação Francesa de Futebol, que recusava demitir-se; pateavam Domenech, que dizia estar contente com a equipa que, segundo ele, tinha dado "boas indicações" no jogo que tinha acabado de perder,

Poucos minutos depois de Domenech falar, o capitão da equipa, Patrice Evra, demitido forçado da função e suplente nesse derradeiro confronto da França com a África do Sul, ameaçava revelar nos próximos dias "tudo" o que se passou nos bastidores durante a incrível saga sul-africana da equipa nacional francesa.

Domenech, que tem muita má reputação devido à forma mal-intencionada como comunica com os jogadores e com os jornalistas, deixa uma equipa em cacos e com uma imagem lastimosa. Mas continuou orgulhoso na sua última conferência de imprensa, onde recusou secamente, por exemplo, justificar o seu gesto de muito má-educação com Parreira.

E foi assim - arrogante, como sempre, apesar de duramente derrotado como técnico e líder de uma selecção nacional - que terminou a sua última conferência de imprensa como seleccionador nacional francês. "Até que enfim!", comentou um jornalista da televisao francesa.