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Mundial - 2010

"Encostaram-me a arma ao peito e pensei... já fui"

"O mais importante é que estou vivo. O material [roubado] é o menos. Não há noção do que é ter a arma apontada", afirma António Simões, um dos três jornalistas enviados à África do Sul, entre os quais o do Expresso, assaltados nos quartos do hotel. Clique para aceder ao índice do Dossiê Mundial-2010

António Simões, repórter fotográfico da Global Imagens, revelou hoje à Lusa o "terror" sentido quando foi assaltado por homens armados no quarto em Magaliesburg, África do Sul, onde acompanha a seleção do Mundial 2010 de futebol. 

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"Foi assustador. Foram dois ou três minutos, no máximo, mas pareceram horas. No fim, quando me taparam todo e encostaram-me a arma ao peito uma segunda vez pensei... já fui", contou, começando o episódio de "terror" pelo fim.  

O profissional português explicou como tudo começou: "Estava a dormir. Acordei com um barulho e deparo-me com dois africanos negros dentro do quarto. Um deles aponta-me logo a arma à cabeça. Manda-me estar calado. Pressiona a arma e manda-me encostar para trás. Foi terrível". 

Arma apontada

"Quando saíram, mandou-me estar calado e continuar a dormir com a arma ainda apontada. Fiquei hora e meia dentro do quarto à espera de luz do dia para conseguir vir cá para fora", relatou, ainda intranquilo. 

O repórter fotográfico contou que "enquanto um dos assaltantes mantinha a arma apontada, o cúmplice carregava o que podia para fora do quarto".

"Levaram-me 3500 euros, cerca de 500 euros em rands (moeda sul-africana). Fiquei sem telemóveis, documentação, levaram-me o computador, máquinas, lentes, roupa. Apenas fiquei com alguma roupa no quarto", acrescentou. 

Quando viu a luz do dia e conseguiu sair do quarto, o repórter português começou a bater à porta de outros profissionais e foi aí que constatou que também os colegas do Expresso e do jornal espanhol "Marca" tinham sido assaltados.

"O mais importante é que estou vivo. O material é o menos. Não há noção do que é ter a arma apontada", afirmou. 

Hotel sem segurança

António Simões disse estar "chocado" com as condições em que o grupo de jornalistas viajou: "É surreal terem-nos metido aqui numa quinta sem telefones no quarto e segurança alguma. Por onde temos passado, vemos muros altos eletrificados e segurança. Impensável terem-nos colocado aqui". 

"É das tais coisas que pensamos que só aos outros acontece. Toda a gente quer mudar de sítio. Ninguém quer ficar aqui hoje. Tenho uma filha em quem pensei. Penso também nos emigrantes que têm sido mortos na África do Sul. Pensei que ia ser apenas mais um", concluiu. 

A polícia, que acorreu ao local em grande número e foi auxiliada por um helicóptero e cães, já recuperou algum material de António Simões a uns 300 metros da propriedade e prendeu um dos assaltantes, detetado pelo sinal de um telemóvel roubado. 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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