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Expresso

Mundial - 2010

Encalhados no Cabo

Equipa de Carlos Queiroz jogou, em parte, num mar de equívocos.  'Navegadores' evitaram o naufrágio no Cabo das Tormentas. Mas encontram-se longe de o dobrar. A nau aguarda ser desencalhada.

Paulo Paixão (www.expresso.pt)

No lançamento do primeiro jogo de Portugal no Mundial-2010, Cristiano Ronaldo prometeu quebrar o jejum de golos na selecção, que já dura há 16 meses. Disse o atacante português que "os golos são como o ketchup; quando aparecem, vêm todos de uma vez".

Pouco antes da bola começar a rolar, Carlos Queiroz repetia a necessidade de Portugal "assumir o jogo, ter a bola". Isto é, os 'Navegadores' chamariam a si a responsabilidade de traçar a rota da partida.

Após os 90 minutos contra a Costa do Marfim, desfalcada do seu melhor futebolista (Didier Drogba), do lado nacional só o remate de Cristiano Ronaldo ao poste deu a ilusão de poder desfazer o zero rotundo.

Portugal acabou com o credo na boca, jogou os últimos minutos, disputados sob chuva, como se estivesse no mar alto, debatendo-se com uma tempestade. Só a falta de forma de Drogba o impediu de marcar um golo fácil. Para os 'Navegadores', teria sido uma morte na praia.

A equipa treinada por Carlos Queiroz jogou, em parte, num mar de equívocos. Atletas com rendimento perto da nulidade, como Danny, notado unicamente por alguns passes errados. Outro com comportamento pouco solidário: substituído à hora de jogo, Deco foi directamente para o balneário, em vez de se juntar aos companheiros no banco. Para terminar, a surpreendente aparição em campo de Ruben Amorim, que passou de 24º para 14º jogador.

A equipa que pretendia assumir o jogo andou demasiado tempo atrás da bola. Macia, perdeu a maioria dos choques a meio campo, onde os africanos ditaram a lei do mais forte.

O goleador que prometia golos a jorrar do frasco de ketchup ficou-se por uma pitadinha de sal.

Tudo somado, é pouco para quem demanda especiarias. Os Navegadores evitaram um naufrágio no Cabo das Tormentas, é um facto. Mas encontram-se longe de o dobrar. A nau aguarda ser desencalhada.