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Expresso

Mundial - 2010

Crise na selecção francesa torna-se assunto de Estado

Nicolas Anelka foi expulso da selecção francesa e já admitiu que teve uma "discussão acalorada" com Domenech, mas nega as expressões citadas pelo "L´'Équipe". Alguns jogadores terão também pedido para partir da África do Sul e o Presidente Sarkozy falou sobre o assunto. Clique para aceder ao dossiê Mundial-2010

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

O avançado Nicolas Anelka foi excluído esta tarde da selecção francesa e parte nas próximas horas da África do Sul para Londres, sem passar por Paris e sem ter sido autorizado pela Federação Francesa de Futebol (FFF) a dar explicações, como pediu, sobre o seu diferendo com o seleccionador, Raymond Domenech.

De acordo com um comunicado da FFF, Anelka recusou pedir desculpa a Domenech, à FFF e à França pelos insultos que lhe são atribuídos. Recorde-se que, segundo o jornal "l'Equipe", o jogador terá respondido deste modo ao seleccionador, no intervalo do jogo de quinta-feira com o México: "Vai-te fazer enrabar, porco filho da puta" (tradução literal da manchete de hoje daquele diário desportivo).

O caso Anelka revela o profundo mal-estar que existe neste momento na selecção gaulesa onde, segundo Emmanuel Petit, ex-campeão do Mundo francês, outros jogadores pediram igualmente para partirem da África do Sul, onde os "bleus" têm um jogo oficial marcado com a África do Sul para o dia 22.

Diversos internacionais franceses criticam a forma como Domenech tem orientado a equipa, as suas escolhas tácticas e a forma acintosa como orienta a comunicação interna e externa.

Os alegados insultos de Anelka ao seleccionador sublinham o clima "execrável" de falta de respeito que se vive no seio da selecção francesa. Diversas fontes indicam que os conflitos são muito violentos entre Domenech e diversos jogadores e entre os próprios jogadores que estarão divididos em diversos clãs.

"Um traidor na equipa"

"Há um divórcio entre os jogadores e o seleccionador e a reconciliação é impossível", disse Emmanuel Petit. Numa conferência de imprensa, na África do Sul, o capitão da equipa, Patrice Evra, disse que, além do "problema Anelka", existe "um traidor" no seio da selecção que relatou ao jornal desportivo o que se passou no vestiário no intervalo do jogo com o México.

A crise na equipa nacional francesa transformou-se entretanto num assunto de Estado. A Ministra dos Desportos, Roselyne Bachelot, que se encontra na África do Sul, emitiu um comunicado apelando à "dignidade".

O próprio Presidente da República, Nicolas Sarkozy, evocou esta tarde o assunto a partir da Rússia, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo, Dmitri Medvedev. "Esta situação é inaceitável e é necessário tomar medidas firmes para lhe por cobro imediatamente", disse o Presidente.

Anelka nega que tenha mandado Domenech "apanhar no ..."

Anelka já admitiu ter tido uma "discussão acalorada" com o técnico Domenech, mas negou as palavras que lhe são atribuídas pelo "L'Équipe".

O jogador aceitou a exclusão do Mundial, hoje decidida, mas afirma que as palavras que disse não foram as publicadas. "Quero esclarecer que as palavras que saíram na imprensa não são as minhas", disse o futebolista ao diário "France-Soir".

De acordo com o avançado dos ingleses do Chelsea, a discussão decorreu no ambiente reservado do balneário, entre o treinador e ele, e que apenas foi testemunhada pelo staff e por colegas da equipa.

"Isto nunca deveria ter saído do balneário. Não sei a quem fará bem para espalhar este tipo de coisas, mas não será certamente aos 'bleus'", justificou o avançado.

Anelka disse ainda que nunca teve o propósito de desestabilizar a França, uma instituição que diz respeitar, mas que aceita a sua saída e deseja boa sorte à equipa.

"Tenho muito respeito pela selecção, pelos meus colegas, sem excepção. A equipa ainda tem hipóteses de qualificação na terça feira, frente à África do Sul, e por essa razão prefiro não me alongar neste momento", concluiu.