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Expresso

Mundial - 2010

A vingança do futebol

Até ao momento é o pior Mundial da Europa, em cujas ligas actuam estrelas de outros países. São estes que dão cartas. Na era da globalização, o futebol ajusta contas com a História. Clique para aceder ao dossiê Mundial-2010

O ex-selecionador nacional António Oliveira chamou recentemente a atenção para o fato de se assistir na África do Sul "a uma espécie de supercampeonato da Europa". Oliveira notava que "quase todos os futebolistas jogam nos grandes clubes" do Velho Continente.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ Mundial-2010 "Olhamos para um jogo e vemos muitos adversários que são colegas de equipa. Os jogadores conhecem-se uns aos outros", observava Oliveira. "O futebol está globalizadíssimo e há uma aproximação de valores". Deste caldo de cultura emerge o pior Mundial de sempre das seleções europeias. Apenas seis chegaram aos oitavos-de-final (disputados por 16 equipas), quando a regra era haver passaporte para uma dezena (apenas em uma ocasião estiveram nove).

Pleno sul-americano

O Velho Continente colocou 13 equipas na África do Sul; mais de metade, portanto, saíram após a fase de grupos. A América do Sul fez o pleno: os cinco países passaram aos oitavos-de-final, quatro deles na liderança dos respectivos grupos. Nos quartos-de-final será batido novo record negativo. Como todos os europeus ficaram emparelhados, só três estarão nessa fase (Alemanha e Holanda, já apurados; e Portugal ou Espanha, ainda por decidir). O mínimo que a Europa tivera entre os oito melhores foram quatro seleções, em 2002. No último Mundial, na Alemanha, eram seis; nos Estados Unidos, em 1994, sete (o oitavo passageiro, o Brasil, viria a ser o campeão do mundo).

Circulação de talentos

Nunca como na África do Sul estiveram num mundial tantos jogadores que atuam nos campeonatos europeus (e muitos dos futebolistas dos países segunda linha, como Portugal ou Holanda, jogam nas ligas espanhola ou inglesa, por exemplo). Africanos ou sul-americanos (sobretudo estes) evoluem assim cada vez mais segundo o padrão dos clubes onde atuam ano após ano. E quando vestem a camisola dos respetivos países põem em campo a mais-valia adquirida. Ao longo dos séculos, as potências europeias acederam aos recursos naturais das suas colónias, primeiro, e dos países que entretanto se tornaram independentes, depois. A exploração era feita localmente, transitando depois o lucro para a metrópole. No futebol, os talentos são detectados em vários continentes. Com contratos milionários nas mãos, emigram depois para os ricos campeonatos europeus. Na África do Sul, face aos resultados conhecidos, com as seleções do Velho Continente a baterem no fundo, é como se o futebol ajustasse contas com a História.