Siga-nos

Perfil

Expresso

Os dias de brasa no BCP

Teixeira Duarte insiste em acordo no BCP

Empresa não desiste de encontrar solução de consenso com alguns accionistas do banco, mas à medida que o tempo passa as probabilidades de sucesso diminuem.

A Teixeira Duarte continua a negociar um acordo entre alguns dos principais accionistas do BCP com o objectivo de ultrapassar o conflito que existe no banco. O grupo de construção espera que até segunda-feira, dia em que se realiza a segunda parte da Assembleia Geral (AG) iniciada a 6 de Agosto, se chegue a um consenso, apesar de as conversas tidas até agora ainda não terem dado em nada.

Fonte oficial da empresa disse ao Expresso que qualquer outro resultado na AG de 27 de Agosto, que não passe por uma solução de consenso, "será mais um triste facto que por si mesmo dificilmente produzirá bons resultados".

A empresa tem recusado classificar os accionistas do BCP entre os que apoiam Paulo Teixeira Pinto, presidente do banco, e os que apoiam Jardim Gonçalves, presidente do conselho geral e de supervisão, referindo que o que está em causa são os interesses do banco e não os interesses de pessoas específicas.

E adianta que "os contactos promovidos têm vindo a revelar que os accionistas têm o firme propósito de não se deixar envolver em guerras que só prejudicam o banco". Os contactos envolvem alguns dos principais accionistas, como a Eureko (7,07%), Fortis (3,99%), EDP (4,34%) e Sabadell (4,5%). Já a Teixeira Duarte estará na AG com 6,39% do banco. Também o BPI terá sido contactado no sentido de se juntar à solução de consenso. Há no entanto outros accionistas do BCP, nomeadamente os que avançaram com a proposta de mudança do modelo de governo do banco, que rejeitam as intenções da empresa, considerando que não há condições para alcançar um acordo e que tudo não passa de uma estratégia de «marketing» bem montada.

Como sinal de aproximação, a empresa já aceitou o fim do actual modelo dualista (composto por uma administração que é fiscalizada pelo conselho geral e de supervisão), proposto por sete accionistas, entre os quais se encontram Joe Berardo, Diogo Vaz Guedes, Manuel Fino, Vasco Pessanha, João Pereira Coutinho, Bernardo Moniz da Maia e Filipe de Botton. Está, assim, disponível para aceitar o modelo monista, em que existe uma administração de onde emana uma comissão executiva. O problema é que não há tempo para apresentar uma proposta de alteração de estatutos que vá nesse sentido, mas que tenha algumas diferenças em relação à que está em cima da mesa.

Assim sendo, a Teixeira Duarte está a tentar convencer os outros accionistas a aceitarem uma fase de transição até se conseguir avançar para o modelo monista. E é sobre esse ponto que as conversas continuam. A empresa considera indispensável que Teixeira Pinto se demita e neste caso o conselho geral e de supervisão seria alargado, permitindo a entrada de dois membros que representassem os novos accionistas do banco.

O problema é que a solução de recurso seria que Filipe Pinhal assumisse a presidência do banco após a saída de Teixeira Pinto, algo que decorre da lei, na medida em que, na ausência do presidente do banco, é o vice-presidente eleito há mais tempo quem assume a presidência. Filipe Pinhal foi eleito há mais tempo do que o outro vice-presidente do banco, Christopher de Beck. Esta hipótese é rejeitada por muitos dos apoiantes de Teixeira Pinto, que consideram inaceitável que a presidência passe para um dos administradores próximos de Jardim Gonçalves, e que entretanto se incompatibilizou com Teixeira Pinto.

No meio das conversas, parece estar tudo finalmente a postos para que a AG possa decorrer sem perturbações técnicas como as que ocorreram a 6 de Agosto, que levaram à suspensão dos trabalhos. Haverá dois sistemas electrónicos de voto e um sistema manual, de acordo com informações prestadas pelo presidente da mesa da AG, Germano Marques da Silva, ao «Jornal de Negócios».