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Expresso

Os dias de brasa no BCP

Não há acordo no BCP

Dois lados em confronto hoje a partir das 15h30 não chegaram a acordo antes da Assembleia mas admite-se que apareçam propostas de suavvização durante o decorrer dos trabalhos. Alargamento da administração deverá cair

As duas partes em confronto no BCP não conseguiram chegar a um acordo e por isso a Assembleia Geral (AG) do BCP, que se realiza hoje a partir das 15h30, corre o risco de deixar tudo como está, mantendo a crise em que o banco está mergulhado. Ainda assim, o lado afecto a Jardim Gonçalves, presidente do conselho geral e de supervisão, ainda admitia a possibilidade de ser encontrada uma plataforma de entendimento com os apoiantes de Paulo Teixeira Pinto, presidente do banco. Algo que estes desconheciam e que pode indiciar que na AG surja uma proposta inesperada de acordo.

Esperam-se, assim, alguns pontos prévios antes da ordem de trabalhos definida para esta AG que podem alterar o andamento da reunião dos accionistas. É também de admitir que o presidente do BCP nem sequer tente uma última vez convencer o presidente da mesa da AG, Germano Marques da Silva, a colocar à votação a eleição de quatro novos administradores. Paulo Teixeira Pinto tem insistido que esta é a única forma de ter condições para continuar a liderar o banco, pois permitir-lhe-á uma maioria dentro da administração, já que se incompatibilizou com cinco administradores após as críticas que estes lhe fizeram por causa das negociações com a empresa petrolífera angolana Sonangol.

Mas as hipóteses de Germano Marques da Silva colocar a eleição dos quatro novos administradores à votação é muito reduzida e por isso Teixeira Pinto deverá deixar cair a proposta de alargamento do conselho de administração, o que acabará por constituir uma derrota.

Aliás, a probabilidade de tudo ficar como está – uma administração dividida e uma convivência nem sempre fácil entre o conselho de administração e o conselho geral e de supervisão – é muito elevada. E se tal acontecer, Jardim Gonçalves será considerado o vencedor desta AG, na medida em que o fundador do banco tem defendido que o BCP pode continuar a funcionar como está, apesar dos sinais de mal-estar que têm surgido nos últimos três meses.

Uma das hipóteses de acordo que terá estado em cima da mesa terá partido de Paulo Teixeira Pinto e apontava para a sua demissão, em simultâneo com a demissão de Jardim Gonçalves. Algo que este terá recusado.

O presidente do BCP veio entretanto clarificar que só se demitirá se a sua proposta de eleição de quatro novos administradores para o banco for chumbada, no caso de o presidente da mesa da AG decidir colocá-la à votação. Teixeira Pinto deu também indicações de que tem sido pressionado para não se demitir apesar de considerar que não tem condições mínimas para continuar a liderar o banco. Mas deixou claro que daqui a oito meses, quando terminar o mandato da actual administração, irá propor a redução do conselho de administração dos actuais nove para sete membros.