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Expresso

Os dias de brasa no BCP

Guerra no BCP continua ao rubro

O acordo de princípio entre accionistas do BCP, que chegou a ser dado como certo na quinta-feira, foi inviabilizado por divergências quanto ao alargamento do Conselho Geral e de Supervisão (CGS), órgão que tem como função fiscalizar a administração do banco e que é presidido por Jardim Gonçalves. Apesar disso os accionistas quer de um lado quer do outro insistem que até às 15h30, hora a que está marcado o início da Assembleia Geral (AG), ainda é possível chegar a um acordo. «Neste momento não há acordo mas até à AG tudo pode acontecer», disse ao Expresso fonte de um dos maiores accionistas do BCP.
É no entanto muito provável que a hostilidade volte a marcar a reunião de hoje, que é o retomar da AG de 6 de Agosto, suspensa por motivos técnicos. Na base da ruptura está o facto de a Eureko, que tem cerca de 7% do BCP, ter recusado a entrada de quatro novas pessoas para o CGS. A seguradora preferia que fossem apenas dois e terá manifestado, além disso, algum desconforto pelo facto de o banco belga-holandês Fortis, que é seu concorrente nos seguros, passar a integrar o CGS. Mas havia outro nome pouco consensual na proposta de alargamento do CGS: o de António de Sousa, considerado por muitos como um dos cérebros da estratégia do presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, no conflito que o opõe a cinco administradores do banco e ao fundador, Jardim Gonçalves. A Teixeira Duarte acabou também por recusar o acordo, indo assim ao encontro das pretensões de Jardim. Desde o início que o que estava em cima da mesa era o aumento do CGS de 11 para 13 membros, mas os accionistas que convocaram a AG – o chamado grupo dos sete, onde se inclui Joe Berardo e a família Moniz da Maia – queria que fosse para 15 e por isso fizeram uma contraproposta, que foi recusada. O facto de na quinta-feira alguns accionistas ligados a Paulo Teixeira Pinto terem confirmado o acordo, que passava pela nomeação dos quatro novos membros do CGS, provocou grande irritação nos apoiantes de Jardim Gonçalves e terá também contribuído para a ruptura. Tendo em conta a lista de presenças da última AG, as posições de Jardim recolhem uma confortável maioria de votos, pelo que o fundador quererá que esse apoio seja confirmado, recusando assim quaisquer cedências. Assim sendo é de admitir que, mantendo-se a divisão entre accionistas, as propostas da Teixeira Duarte de manter o actual número de administradores e membros do CGS saia vencedora. É de admitir ainda que a construtora decida apresentar ela própria uma lista alternativa ao CGS. Em causa está ainda o ponto 7, em que a única proposta que existe é a de alargamento do CGS de 11 para 24 membros, apresentada pelos apoiantes de Teixeira Pinto.