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Expresso

Os dias de brasa no BCP

"Admito impugnar a Assembleia Geral"

O empresário exige ter informação sobre todos os gastos dos órgãos sociais do banco, nomeadamente sobre as viagens em aviões particulares e os seguranças de Jardim Gonçalves.

Joe Berardo exige saber quanto ganha cada um membros dos órgãos sociais do BCP. O empresário diz que não desistirá e que irá até às últimas consequências para ter esta informação. Considera que seria bom encontrar uma solução antes da Assembleia Geral (AG) de 6 de Agosto para a crise que o banco está a atravessar. E ameaça impugnar a reunião de accionistas caso o presidente da mesa da AG, Germano Marques da Silva, não introduza na ordem de trabalhos a proposta de alargamento do conselho de administração do banco. Diz também que Jardim Gonçalves deve estar a sofrer de «problemas de memória».

Jardim Gonçalves disse que era bom que não se realizasse a Assembleia Geral do BCP. Concorda?
Eu também acho que era melhor que não fosse preciso haver a Assembleia Geral…

Então como se resolveria a situação no banco?
Era preciso chegar a um acordo. Por exemplo, um dos dois vice-presidentes do BCP sair do conselho de administração e ir para o Conselho Geral e de Supervisão, abrindo uma vaga que seria preenchida por alguém nomeado por Paulo Teixeira Pinto, que ficasse até ao final do mandato. Era uma solução simples. O banco não pode continuar como está. Quem dirige o banco tem de ter apoios. É preciso ver que Paulo Teixeira Pinto reduziu as remunerações dos administradores. Ninguém fica contente com isso…

Já fez essa proposta?
Quando Pedro Maria Teixeira Duarte, Filipe Pinhal e Alípio Dias [conotados com Jardim Gonçalves] vieram aqui conversar comigo eu propus-lhe isso. Era uma solução fácil, dessa forma respeitava-se o mandato de Paulo Teixeira Pinto. Jardim Gonçalves deveria ir-se embora, mas como também tem um mandato, que o cumpra até ao fim. Mas há que esclarecer todas as despesas que são feitas e que não são autorizadas pela assembleia geral: aviões particulares, os seguranças de Jardim Gonçalves… Pedi há algum tempo a informação sobre as remunerações individuais dos administradores e até agora têm-ma negado. O banco tem dito que só está obrigado a prestar informações sobre os montantes globais das remunerações fixas e variáveis, não existindo outras obrigações, nem sobre as remunerações individuais nem sobre todas as outras despesas. Mas eles são obrigados a dar-me essa informação. Durante muito tempo os administradores sentiam-se donos do banco. Convidaram-me para participar na lista aos órgãos sociais como administrador mas eu não quis. O presidente eleito do banco é que tem a responsabilidade de eleger a sua equipa. Eu estou a pagar para ter lá pessoas de confiança a gerir o banco.

Não está então convencido de que será possível chegar a uma solução antes da Assembleia Geral…
Eu não sei como vai ser, a única coisa que sei é que eu vou até ao fim, não desisto. Mesmo que eles vençam agora, a lei tem de ser aplicada. E se não for votado o alargamento do conselho de administração, vou impugnar a AG. O que eu sei é que o conselho de administração nunca mais pode ser dono do banco. O que é preciso é que nada fique como antes. E nada vai ficar como antes.

E como vê a posição do BPI, que vota contra as propostas de alteração de estatutos e a destituição de administradores?
Não percebo algumas coisas no BPI. O seu presidente, Fernando Ulrich, disse que havia uma estratégia antiga da La Caixa, que é o seu maior accionista, para aumentar até aos 33% do seu capital, mas nunca se soube isso até ao lançamento da oferta pública de aquisição (OPA) pelo BCP. Ora, se eu soubesse disto não teria vendido as minhas acções, pois essa informação podia valorizá-las. Depois o BPI fez uma assembleia geral no início do ano em que pediu autorização para vender a posição que tem no BCP. Passados seis meses, não só não venderam essa participação como ainda compraram mais 1,2%! Deveriam ter informado o mercado antes de comprarem, tendo em conta que antes informaram o mercado de que iam pedir autorização para vender.

Defende a destituição dos cinco administradores que entraram em confronto com Paulo Teixeira Pinto. Pensa que o que aconteceu no banco é assim tão grave que justifique a destituição?
O que se passa é que lá dentro cada um rema para o seu lado. E esses administradores preparavam-se para tirar pelouros a Paulo Teixeira Pinto. Não está em causa eu ganhar, ou os outros accionistas que estão comigo ganharem, ou os que estão com a Teixeira Duarte ou com Jardim Gonçalves. O que está em jogo é respeitarmos as leis. E há no banco quem pense que está acima da lei. Jardim Gonçalves pensa que está acima de toda a gente. Primeiro ele já não tem uma boa memória pois em entrevista ao Público diz que já não me conhece. Deve estar a sofrer seriamente da doença de Alzheimer, ou de outra coisa qualquer. Eu quero saber quanto é que custa ao banco as regalias que tem e vou saber mais cedo ou mais tarde. Logo após esta AG, vou reunir 10% do capital e exigir todas as actas do banco.