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Expresso

Os dias de brasa no BCP

ABN Amro poderá não votar na Assembleia do BCP

Projecto de decisão da CMVM imputa direitos de voto do banco à seguradora. Presidente da mesa da Assembleia Geral pode decidir que apenas a Eureko vote na reunião de accionistas.

O banco holandês ABN Amro corre o risco de ver os seus votos na Assembleia Geral (AG) de 6 de Agosto não contarem para nada, o que beneficia o presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto. Isso mesmo decorre do projecto de decisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que determina que os direitos de voto da participação accionista do banco sejam imputados à seguradora Eureko. Significa isto que à participação de 7,08% da Eureko há que somar os 2,88% comprados pelo banco. E que estes 2,88% poderão já não ser usados para votar contra Teixeira Pinto.

O projecto de decisão já foi comunicado ao presidente da mesa da AG, Germano Marques da Silva, a quem cabe agora decidir se invalida ou não os votos do banco holandês. Suspeitava-se que a venda de 2,88% pela Eureko ao ABN Amro tivesse como objectivo reforçar o núcleo de opositores do presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, pois dadas as limitações de voto a 10% do capital do BCP e a afluência esperada na AG, a Eureko precisaria de pouco mais de 7% para atingir o limite de 10%. Pelo que a transmissão dos 2,88% para o ABN Amro permitia aproveitar este capital para votar também contra Teixeira Pinto.

A CMVM não comentou o assunto e também não foi possível obter uma reacção do presidente da mesa da AG. O Expresso sabe que os órgãos sociais do BCP já foram informados deste projecto de decisão.