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Apito Final

'Apito Final': toda a investigação

Liga condenou Boavista, FC Porto e União de Leira. Cinco árbitros foram suspensos. O Expresso divulga todo o processo. Faça aqui o download dos documentos em formato PDF.

Carlos Rodrigues Lima e Isabel Paulo

A Comissão de Disciplina (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) suspendeu da actividade desportiva Pinto da Costa e João Loureiro. O presidente do FC Porto foi suspenso por dois anos e obrigado ao pagamento de uma multa de 10 mil euros, enquanto ao ex-presidente do Boavista foi aplicada a pena mais dura do processo 'Apito Final': quatro anos de suspensão e a descida de Divisão do Boavista.

Neste processo, a CD suspendeu cinco árbitros. Augusto Duarte está inibido de apitar durante seis anos, tendo a Liga dado como provada a corrupção consumada do árbitro no jogo Beira Mar-FC Porto, da época 2003/04.

A Jacinto Paixão foi aplicada uma pena de suspensão por quatro anos (no caso relativo à oferta de prostitutas antes do jogo FC Porto-Estrela da Amadora), tendo os seus antigos auxiliares sido punidos com dois anos e meio de inactividade desportiva.

A SAD do FC Porto foi punida com a perda de seis pontos (no actual campeonato) e ao pagamento de uma multa de 150 mil euros. Já a Boavista SAD foi condenada à descida de Divisão e ao pagamento de uma multa de 180 mil euros. Ricardo Costa, presidente da CD, precisou que este montante deveria ser superior, mas foi levada em consideração a frágil situação económico-financeira por que passa a SAD.

A União de Leiria, já despromovida, viu também serem-lhe subtraídos três pontos e o seu presidente, João Bartolomeu, está suspenso por um ano. O árbitro Bernardino Silva ficou também impedido de quaisquer funções na arbitragem durante dois anos e meio.

Todos os castigos são passíveis de recurso para o Conselho de Justiça da FPF, mas não têm efeitos suspensivos. O 'Apito Final' ficou concluído após um ano e meio de investigação em colaboração com o Ministério Público e tribunais de instrução.

Ricardo Costa acrescentou que estes foram os castigos possíveis face aos regulamentos em vigor, onde não estão previstas punições para crimes de tráfico de influência. O líder do CD vai propor, terça-feira, profundas alterações regulamentares no sentido de agravar as penalizações por este tipo de práticas ilícitas.

"Se o regulamento não exigisse a prova da actuação parcial do árbitro em campo, mais clubes poderiam descer de Divisão e não ter perdido pontos", declarou Ricardo Costa.

"Durante a investigação, verificou-se que vários árbitros e observadores tiveram actuações que merecem a mais viva reprovação e censura, mas estas práticas de tráfico de influência não correspondem hoje a ilícitos nos actuais regulamentos", lamentou Ricardo Costa, esclarecendo: "É razão por que não podem ser punidos".