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Expresso

Red Bull Air Race no Porto

"Faço-o pelo prazer de voar"

Durante a semana, o inglês Paul Bonhomme é comandante de um Jumbo 747.

Paul Bonhomme é um integrantes da lista de 13 experientes pilotos que vêm participar na jornada do Porto/Vila Nova de Gaia. Se o leitor é um viajante habitual em voos da British Airways, fixe o nome deste inglês de 42 anos: quem sabe se não o terá como comandante de um Jumbo 747 numa próxima viagem que faça com a companhia britânica?

O seu pai foi piloto militar e comercial e a sua mãe hospedeira. Os pilotos fazem-se com o tempo ou acredita que a genética foi decisiva na sua vida?
Sem dúvida que os nossos pais têm grande influência sobre aquilo que somos. E se nos lançarmos na mesma carreira que eles isso vai ajudar. Quando somos crianças, acho que absorvemos todas as experiências e histórias que ouvimos. E quando elas se relacionam com a carreira que escolhemos proporcionam uma excelente vantagem.

A primeira ideia que se tem quando se observa uma corrida é que existem grandes riscos associados. Esse perigo é real ou apenas aparente?
Há perigos muito reais nas competições aéreas. Se alguma coisa correr mal a 400 km/h, quando voamos a 10 metros do solo, não há muito tempo para reagir. A razão por que os pilotos desta especialidade são um pouco mais velhos do que a maioria dos praticantes de desportos radicais prende-se com a necessidade das reacções terem de ser instintivas. E isso só se consegue com muito experiência perto do solo em manobras arriscadas.

Costuma fazer planos tácticos antes de cada corrida? É a mesma coisa competir no deserto de Monument Valley ou em Londres?
Cada jornada é completamente diferente das outras. O desenho do circuito varia imenso, tal como as condições envolventes. Por exemplo, o ar quente e fino de Monument Valley requer planos diferentes se o compararmos com o ar frio e pesado de Londres... Cada corrida tem de ter o seu plano e a sua táctica.

O que o leva, em diversos fins-de-semana, a abandonar
a formalidade associada às suas funções de comandante numa das mais conhecidas companhias mundiais e libertar o seu "lado selvagem", vestindo a pele de um piloto de acrobacias?

Não considero que as corridas exijam o meu "lado selvagem". Gostaria de pensar que o mesmo planeamento meticuloso e execução são aplicados não só nas corridas como na minha capacidade de comandante de um 747. Para serem bem sucedidos, os dois trabalhos exigem capacidade de gestão e habilidade de pilotagem, só as consequências é que parece serem um pouco diferentes!

Fá-lo pelo prazer de voar ou por dinheiro?
Faço-o pelo prazer de voar. A euforia de concluir um voo quase perfeito dá-me grande prazer.

Com uma vida tão intensa, presumo que não disponha de muitos fins-de-semana para a família. É esse um dos preços que tem de pagar?
Sim, é um enorme sacrifício. Se pudesse mudar alguma coisa seria isso. Adorava ter mais tempo de qualidade em casa, para estar com a minha namorada Laura.

Em termos físicos, especialmente no que respeita às forças G, as corridas são muito duras. Como se prepara para lhes resistir?
Correndo e andando de bicicleta (BTT) entre as corridas. Também tento manter a minha tolerância G elevada, fazendo acrobacia aérea sempre que posso. Se não nos expusermos regularmente às forças G, perdemos a capacidade de as absorver sem nos cansarmos.

Este ano ganhou duas corridas e é o 2.º na classificação geral. De todos os seus rivais, qual é que receia mais?
Penso que Mike Mangold e Peter Besenyei têm planos semelhantes aos meus e também querem ser campeões. O resto do ano vai exigir muita concentração.

O que pode prometer a todos os espectadores que estiverem no Porto?
Uma corrida extremamente espectacular e muito competitiva!