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Expresso

Regata Transat 6.5

Depois da tempestade, a bonança

Súbita paragem e avaria durante o dia de ontem assustaram Francisco Lobato, que entretanto já se recompôs e volta agora ao andamento "normal".

Ricardo Capela

As primeiras mil milhas da segunda etapa da regata Transat 6.50 já ficaram para trás e, com elas, as Canárias são já uma miragem. Os velejadores passam nesta altura em Cabo Verde, com os ventos a diminuir e, consequentemente, as velocidades registadas a serem menores.

A abordagem ao território africano foi, contudo, bastante penosa para Francisco Lobato. O velejador português, que liderava a classe série desde a saída do Funchal e que, inclusivamente, era quarto mesmo contando com os barcos da classe protótipo, teve uma súbita paragem, que durou algumas horas, à qual se seguiram andamentos muito lentos, na ordem dos três nós.

O jovem português, que cumpriu 23 anos já em pleno Atlântico, activou o botão "verde" de emergência, que significa "tenho avarias a bordo mas estou capaz de as gerir sozinho". Desde logo afastado o cenário de algum acidente com o velejador, a dúvida mantém-se em relação ao que se terá passado a bordo do barco número 607, embora seja provável que tenha havido um rasgão na vela grande ou uma avaria no piloto automático.

A avaria fez Francisco Lobato cair para o quarto lugar da classificação dos séries em poucas horas, mas ao fim da tarde surgiam notícias mais animadoras. O BPI Pogo já navegava a velocidades superiores a 11 nós. Problemas resolvidos, a recuperação começou e, neste momento, o português é já terceiro, a cerca de 40 milhas dos primeiros, e registando velocidades superiores às de Stéphane le Diraison e de Hervé Piveteau - primeiro e segundos, respectivamente.

Recorde-se que Diraison foi o vencedor da primeira etapa, entre La Rochelle e a Madeira, e que Francisco Lobato tem de recuperar cerca de 12 horas ao francês para ainda poder sonhar com o triunfo final na Transat. Os velejadores seguem, depois de terminada a passagem pelas ilhas de Cabo Verde, em direcção ao Equador, rumando depois a São Salvador da Baía, no Brasil, onde deverão começar a chegar no dia 26 de Outubro.