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Expresso

Euro-2008

Parque do Fontelo revive as glórias do Académico

A Geórgia costuma ser um adversário temível de Portugal no râguebi. No futebol, no primeiro encontro entre as aelecções dos dois países, inverteram-se os papéis: 2-0 e muita bola na barra.

Pouco passava das três da tarde de sábado e já o Estádio do Fontelo parecia funcionar como um gigantesco íman, sugando pessoas das ruas de Viseu.

Do centro da cidade sai-se facilmente a pé para o Parque e por todas as entradas do maior espaço verde da cidade, veredas incluídas, deslizava um corrupio de gente vestida de vermelho e verde. Havia algum público de fora mas o ambiente era basicamente familiar: os polícias de serviço e os adeptos a caminho do jogo cumprimentavam-se cordialmente pelos nomes próprios. O mais certo era serem vizinhos...

Ao contrário dos jogos grandes, o tom geral era descontraído. Os cachecóis eram vendidos a cinco euros o par, uma verdadeira pechincha.

Embevecido, um fã, já não muito novo, dizia para os acompanhantes: "Olha para isto! Por este preço e ainda traz uma etiqueta com a letra do Hino..." Já na alameda que sobe para o estádio, havia reformados a jogar à sueca nas mesas do piquenique. Ao lado, um casal de namorados, "kitados" com cachecóis e bandeiras e, mais acima, outra mesa de sueca, onde a logística tinha sido apurada ao mais elevado grau: havia um monumental presunto num dos cantos e o acordeonista Pedrosini dava música - literalmente falando - a quem passava.

Era uma enchente monumental mas, como recordavam alguns viseenses, longe de um recorde. "Quando o Académico estava na I Divisão (fim da década de 70), era gente até à pista, nos jogos com os Grandes". Nessa altura o Académico de Viseu arrecadava receitas quase ao nível dos grandes clubes. Mas agora está na III Divisão. "Ia subindo este ano. Talvez para o próximo..."

Tal como Scolari foi buscar Nuno Gomes, Petit e Quim ao Benfica (para além dos ex-águias Miguel e Simão Sabrosa), a organização contratou o "speaker" Carlos Alexandre, habitual animador da "Catedral", para puxar pelos fãs. Mas nem era preciso, porque aquela gente já vinha animada ao chegar ao Fontelo.

Foi com um estádio a deitar por fora que se assistiu a um verdadeiro jogo em duas partes, já que, só um jogador, Paulo Ferreira, jogou o tempo todo. Sem deslumbrar, a equipa-base mostrou eficiência. Moutinho (autor do seu primeiro golo pela Selecção), Simão (marcador de um penalti com a inevitável "paradinha") e Bosingwa estiveram muito bem. Deco deu alguns sinais positivos e Cristiano Ronaldo jogou mais para a bancada que para a equipa.

Quaresma esteve inspirado na segunda parte, só lhe faltando o golo (à saída, confessou que, caso o Porto não vá à Liga dos Campeões, pode ser altura de sair). Já Bruno Alves ficou nas covas a sete minutos do fim (golo evitado por uma soberba intervenção de Quim) e Miguel Veloso esteve infeliz como, de resto, o próprio reconheceu, no fim, em declarações aos jornalistas.

É patente que uma série de jogadores que estavam mal fisicamente, no início do estágio, recuperaram bastante, caso evidente de Miguel e, sobretudo, de Petit. Como este dizia no final do jogo, "ainda temos cinco dias para recuperar mais e afinar algumas coisas". Domingo a meio da tarde, depois de uma recepção no Palácio de Belém, a comitiva segue de avião para a Suíça.