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Expresso

Cannes 2010

Stones on Stones

Mike Jagger em Stones in Exile

Mick Jagger veio à Croisette apresentar um documentário sobre as gravações, na Côte-d'Azur, de "Exile on Main Street", disco célebre dos Rolling Stones. Um acontecimento.

Francisco Ferreira, enviado a Cannes (www.expresso.pt)

Foi na (por estes lados...) famosa villa Nellcote, em Villefranche sur-Mer, na Côte-d'Azur, que os Stones gravaram, no arranque dos anos 1970, um dos seus álbuns mais luminosos. E é nessa villa que arranca "Stones in Exile", documentário de Stephen Kijak sobre a aventura. Jagger veio a Cannes e parecia que caia o carmo e a trindade à volta do Palais Stéphanie, sala-mãe da "Quinzena dos Realizadores", a secção do festival que exibiu o filme: a fila de espera para entrar na sala dava a volta ao edifício.

Naquele tempo, os Stones vinham de uma cruzada imparável: dez discos de ouro consecutivos. Vigiados pelos paparazzi a cada passo, 'exilados' da Inglaterra por motivos menos simpáticos (questões fiscais e penais relacionadas com o consumo de drogas), a banda encontrou refúgio acolhedor no sul de França e naquela casa de sonho, cedo visitada por um rol de músicos, engenheiros de som, mas também por dealers e 'penetras' de toda a espécie: trabalhava-se no duro, e em clima de festa. Uma das maiores piadas do filme é a daquele tipo que se diz ter-se especializado no 'enrolador de charros' oficial do grupo.

Feito com quase nada

"Stones in Exile" não se pode comparar ao mítico "Cocksucker Blues", o filme que o fotógrafo Robert Frank rodou sobre a mesma experiência (Frank foi o autor da capa do disco, collage de fotogramas dos seus filmes em Super-8). E não pode por um motivo muito simples: o material filmado que existe do episódio é escasso. "Stones in Exile" 'estica-o' ao máximo, o suficiente para um filme de uma hora que vai misturar material de arquivo anterior às gravações do disco e testemunhos contemporâneos pouco interessantes (Benicio del Toro, Sheryl Crow e Martin Scorsese, que fez "Shine a Light"), até chegar à duração legal de uma longa-metragem que, entretanto, já saiu em DVD.

Os Stones vendem, venderão sempre, e há aqui motivos de marketing que ninguém poderá negar. Apesar de tudo, "Stones in Exile" é um filme agradável, viagem generosa a um tempo nómada, febril, intenso de liberdade, que empurraria os Stones para um dos seus melhores discos.

Stones in Exile de Stephen Kijak (Quinzena dos Realizadores)