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Expresso

Cannes 2010

Robin antes dos bosques

Russell Crowe: o Robin Hood de Ridley Scott

Épico musculado para o grande público, "Robin Hood" inaugurou Cannes. É um filme francófobo, mas o festival não se importa... Ainda bem.

Francisco Ferreira, enviado a Cannes (www.expresso.pt)

"Robin Hood" é um blockbuster histórico equivalente ao que "Gladiador" representou para a indústria em 2000 e "Tróia" em 2004. Embora tenha sido feito a pensar na pipoca e no espectáculo, o filme de Ridley Scott, exibido em Cannes fora de competição, marca logo pontos ao recusar dar aquilo que todos conhecem: um Robin dos Bosques que rouba os ricos para dar aos pobres.

Prequela

"Robin Hood" é uma prequela original do mito. Começa nos tempos em que o nosso Robin (Russell Crowe) é ainda um zé-ninguém sem hipóteses de êxito no horizonte. O acaso ajuda-o e o rapaz, distinto arqueiro, lá arranja maneira, sob identidade falsa, de entrar na nobreza do malogrado Rei Ricardo, o do Coração de Leão, e de chegar a Nottingham, tomando depois o coração da fogosa Lady Marion (Cate Blanchett) e a linha da frente da batalha dos ingleses contra os franceses. Nesta altura, o Reino está dividido. Só depois Robin será traído e forçado a refugiar-se na floresta de Sherwood e no fora da lei que todos conhecem. 

Seta republicana no seio da monarquia

Ridley Scott quis humanizar Robin. Tirou-o do pedestal de herói do filme de aventuras que conhecemos desde Douglas Fairbanks e, sobretudo, de Errol Flynn. Tornou-o num homem musculado, sensível e humanista.

O filme não é nada simpático para a monarquia. E o seu problema está aqui: na falta de simpatia (em geral). Ou, se quiserem, na falta de sentido de humor. É que este "Robin Hood" passa o tempo todo a dar provas da sua seriedade.

A intriga política mistura-se com o romance nesta reconstituição digital da Idade Média - e se o filme não se embasbaca pela sua oponência, pelos milhões que custou à Universal, nem por isso gasta tempo suficiente a construir verdadeiras personagens.

Russell Crowe e Cate Blanchett, por exemplo, são muito menos convincentes do que a personagem secundária de Max von Sydow (que faz de pai da Lady Marion), ele que representa a imagem mais célebre do medievismo da história do cinema, em "O Sétimo Selo", de Bergman.

Quanto às sequências de guerra, também aqui se esperava mais inspiração, mais ritmo e outros resultados. Mas Ridley Scott não é propriamente um realizador talhado para o cinema de acção. Também neste terreno, "Robin Hood" é filme de meias tintas.

Francofobia

O sentido de humor surgiu de onde menos se esperava: da francofobia militante, sublinhada pela antipatia das personagens gaulesas. Afinal, a francofobia é talvez o maior gag de "Robin Hood": o filme inaugurou, aqui em França, o maior festival de cinema do mundo. E 'deu' aos franceses uma tareia de criar bicho. Mas o verdadeiro festival só agora começa.

ROBIN HOOD de Ridley Scott (Fora de competição)

 

 

  1. Festival de Cannes (em português)

  2.  

  3. Informação sobre a competição

  4.  

  5. Informação sobre o "Un Certain Regard "

  6.  

  7. Quinzena dos Realizadores (em pdf)

  8.  

  9. Semana da Crítica

  10.  

  11. Cannes 2009