Siga-nos

Perfil

Expresso

Nova crise em Gaza

Israel reduz bloqueio a Gaza

Levantado o embargo à entrada de alguns produtos na Faixa de Gaza, como marmelada, sumos e doces. Clique para aceder ao índice do dossiê Nova crise em Gaza

Israel levantou hoje o embargo à entrada de alguns produtos na Faixa de Gaza, como marmelada, sumos e doces, disse um funcionário do Ministério da Economia do governo do Hamas, Raed Fatuh.

Clique para aceder ao índice do dossiê Nova crise em Gaza

Em declarações à imprensa, a fonte especificou: "Israel informou-nos de que decidiu aumentar a quantidade de tipos de bens na Faixa de Gaza e que permitirá esta semana a entrada de refrescos, sumos, frutas em conserva, bolachas, aperitivos e batatas fritas."

A medida foi anunciada no meio de uma grande pressão internacional sobre Israel para que levante o bloqueio à Faixa de Gaza.

Cerco "injusto e injustificado"

A manutenção do bloqueio motivou o assalto militar a uma frota que se dirigia para Gaza com ajuda humanitária, na semana passada, abordagem que provocou a morte a nove ativistas turcos no único navio onde os comandos israelitas encontraram resistência. 

Raed Fatuh, que coordena o acesso de produtos à Faixa de Gaza, precisou que, dois dias depois da abordagem, Israel já permitira a entrada de alguns produtos, como bolachas, pincéis e espuma de barbear. 

Ao contrário, continua vetada a entrada de produtos como cimento, matéria-prima para a indústria e a agricultura, madeira, eletrodomésticos, máquinas elétricas, televisões e rádios. 

Apesar do alívio do bloqueio, um porta-voz do Hamas, Ismail Radwan, recusou o levantamento gradual do bloqueio, por o considerar uma estratégia de Israel para contrariar as "fortes pressões internacionais", depois do "ataque desumano" à frota humanitária. 

Em comunicado, Radwan considera que "o injusto e injustificado cerco deve ser levantado completa e imediatamente". 

Evitar utilização para fins militares

Nili Aharon, coordenadora do organismo militar israelita que gere os assuntos civis nos territórios palestinianos ocupados, confirmou o levantamento parcial das restrições, que mitiga o bloqueio iniciado em 2005 e reforçado um ano depois, quando o Hamas assumiu o controlo do território. 

Desde então, o Estado judeu só permitiu o acesso a Gaza a um conjunto de 25 a 150 produtos alimentares e materiais básicos, sob o argumento de que as milícias palestinianas poderiam utilizar os itens vetados para fins militares. 

As organizações de direitos humanos mantêm, por sua parte, que o bloqueio não é uma questão de segurança, mas de castigo coletivo. 

O Egipto, que contribuía para o bloqueio a Gaza, ao manter encerrada a fronteira em Rafah, abriu-a sem restrições temporais na passada semana.

Anúncio horas antes do encontro entre Obama e Abbas

O anúncio da redução do bloqueio israelita ocorre horas depois de a embaixada britânica em Telavive desmentir uma notícia do The Daily Telegraph, segundo a qual o governo de Londres propusera a Israel que mitigasse o bloqueio em troca da redução da pressão sobre o seu assalto à frota. 

O anúncio do alívio do bloqueio produz-se, por outro lado, horas antes de o presidente dos EUA, Barack Obama, receber em Washington o seu homólogo palestiniano, Mahmud Abbas. 

Principal aliado de Israel, os EUA tinham pedido uma mudança dos parâmetros do bloqueio a Gaza, que fontes da presidência consideram "insustentáveis" nas condições em vigor até agora. 

O território da Faixa de Gaza tem 40 quilómetros de comprimento por 10 de largura e é povoado por milhão e meio de habitantes, uma das maiores densidades demográficas no mundo. 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.