Siga-nos

Perfil

Expresso

Nova crise em Gaza

"Eles atiraram à cabeça", acusa testemunha

A cineasta brasileira Iara Lee, que seguia a bordo de um dos seis navios, garante que os militares israelitas "atacaram de forma indiscriminada". Clique para aceder ao índice do dossiê Nova crise em Gaza

Uma cidadã brasileira que estava a bordo do navio intercetado pela marinha de Israel na segunda-feira em água internacionais, disse que os israelitas "atacaram de forma indiscriminada" disparando para a cabeça dos passageiros, divulgou hoje a imprensa brasileira.

Clique para aceder ao índice do dossiê Nova crise em Gaza

Segundo o jornal "Folha de São Paulo", pelo menos nove ativistas foram mortos a tiro e dezenas ficaram feridos, na segunda feira, durante a ação militar dos israelitas contra um dos navios da frota de seis que tentava passar pelo bloqueio marítimo de Israel e levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

"No meio da noite, em águas internacionais, os israelitas chegaram e começaram a atacar de forma indiscriminada", disse ao jornal paulista, por telefone, a cineasta brasileira Iara Lee, que estava numa das embarcações.

"Muitas armas"

"Muitas pessoas foram assassinadas, foi uma coisa difícil de imaginar, pois sabíamos que eles iriam tentar impedir a passagem, sabíamos que iram tentar um certo confronto, mas não chegar a matar. Eles entraram com muitas armas", referiu ainda a cineasta.

Segundo Iara Lee, que reside nos Estados Unidos, "os barcos não transportavam armas e eram navios que carregavam material humanitário", acrescentando que muitas pessoas ficaram feridas no ataque e "mais de 25 estão desaparecidas".

"Esperávamos que eles dessem tiros na perna, tiros no ar, só para aterrorizar as pessoas, mas foram diretos. Eles atiraram à cabeça dos passageiros", relatou a cineasta.

"Por favor reajam"

De acordo com a diplomacia israelita, a realizadora, que constava na lista como cidadã norte-americana, recusou a opção de deixar o país voluntariamente e está presa, aguardando a deportação.

"Não vou assinar nenhum papel dizendo que sou uma criminosa, porque eu não sou, se quiserem deportar-me de uma forma direta, muito bem. Mas se forçarem a que assine papéis dizendo que sou terrorista, que tenho armas, que sou criminosa, não vou assinar papéis destes. Eles querem livrar-se das pessoas o mais rápido possível", disse.

"Por favor reajam, não fiquem parados a olhar", disse a cineasta, exortando a comunidade internacional a reagir fortemente ao incidente.

Os confrontos ocorreram a bordo da maior embarcação, que levava a bordo cerca de 600 pessoas, a maioria cidadãos turcos, quando a frota se encontrava em águas internacionais, a pouco mais de 70 quilómetros da costa de Israel.

O violento incidente gerou uma onda mundial de condenação a Israel, que se defendeu afirmando que os soldados foram forçados a responder a tiro a ataques desferidos pelos ativistas com facas, barras de ferro e, em alguns casos, armas de fogo.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico