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Face Oculta

Petição online exige explicações de Sócrates

Conta já com mais de 600 assinaturas e vai ser entregue na Assembleia da República, quinta feira, para que o primeiro ministro esclareça a sua alegada interferência na comunicação social. Não há signatários socialistas. Clique para visitar o dossiê Face Oculta

Uma petição online lançada hoje para pedir explicações ao primeiro ministro sobre alegadas interferências na comunicação social conta já com mais de 600 assinaturas e vai ser entregue na Assembleia da República (AR) quinta feira.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ FACE OCULTA

O movimento "Todos pela Liberdade" está a convocar, através do Facebook, uma manifestação para quinta feira frente ao Parlamento, pedindo aos participantes que se vistam de branco.

Os signatários da petição consideram que José Sócrates tem "sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião" e pedem ao primeiro ministro que esclareça os recentes episódios sobre a sua alegada interferência na comunicação social.

Intervenção das entidades competentes

"Esta ideia começou de uma conversa muito informal tanto nos blogues como no Twitter no sábado à tarde no rescaldo das leituras dos jornais de fim de semana", explicou à agência Lusa Ana Margarida Craveiro, signatária número um da iniciativa que garantiu não ter qualquer ligação partidária.

Na sexta feira, o semanário Sol transcreveu extratos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que o magistrado considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano" em que estaria envolvido o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz da estação de televisão.

O movimento pretende que o primeiro ministro esclareça a veracidade das notícias que vieram a público, apelando à intervenção das entidades competentes: "E se é verdade, gostávamos que os órgãos competentes de fiscalização do poder político atuassem", acrescentou.

Petição sem signatários socialistas

Questionada sobre se há signatários socialistas na petição, Ana Margarida Craveiro respondeu negativamente: "Penso que não mas isso também faz parte desse tal clima em que as pessoas sentem algum desconforto mas não se querem expressar".

"Temos pessoas a dizer que gostavam de assinar a petição mas por diversos motivos, normalmente relacionados com a sua profissão, não o podem fazer e isso também demonstra que há alguma coisa de errado em tudo isto", considera.

Na petição, os signatários do projeto consideram "evidente que a atuação do primeiro ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão" e que "a recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, dão uma nova e mais grave dimensão à atuação do primeiro ministro".

Promotores do manifesto

"Da esquerda à direita", os promotores do projeto participam em blogues como Delito de Opinião, Esquina do Rio, Aparelho de Estado, 5 Dias, Blog Sábado, A Arte da Fuga, 31 da Armada, Blasfémias, Aventar, Portugal dos Pequeninos, O Insurgente e Cachimbo de Magritte.

No portal eletrónico de divulgação da iniciativa, assinam como "promotores do manifesto" os 'bloguers' Adolfo Mesquita Nunes, Vasco Campilho, Henrique Burnay, João Miranda, Afonso Azevedo Neves e o antigo vice-presidente do CDS Pedro Pestana Bastos.

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas. No âmbito deste processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, José Penedos, presidente da REN - Redes Elétricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.

Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.

O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.