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Bava remete para auditoria da PT papel do Taguspark

O presidente executivo da PT esteve hoje pela segunda vez na comissão de inquérito parlamentar ao negócio PT/TVI.

O presidente executivo da PT remeteu hoje para a comissão de auditoria interna da sua empresa o esclarecimento sobre o papel da Taguspark na tentativa de aquisição de parte do capital da Media Capital, proprietária da TVI. 

A ação desempenhada pelo ex-administrador da PT Rui Pedro Soares e a forma como a Taguspark esteve envolvida no negócio para a compra da TVI foram dois dos temas levantados pelo PSD na segunda presença de Zeinal Bava na comissão de inquérito parlamentar. 

Nas perguntas, o deputado social democrata Agostinho Branquinho sugeriu que Rui Pedro Soares tinha "uma especial sensibilidade" para o negócio com o grupo espanhol Prisa, já que tinha estado envolvido numa primeira tentativa de negócio por via da Taguspark. 

A posição do deputado do PSD começou por merecer um comentário de repúdio por parte de Zeinal Bava: "Eu respeito-o a si e agradecia que me respeitasse".

Auditoria investiga envolvimento do Taguspark

"Em relação ao Taguspark já disse na anterior vez que estive na comissão de inquérito que se tratam de factos que vieram a ser conhecidos posteriormente e que eu não tinha conhecimento", frisou o presidente executivo da PT. 

Num dos momentos de maior tensão nesta reunião da comissão de inquérito, Zeinal Bava pediu depois para que se mantivesse "um nível de respeito mútuo".

"Já disse que o Taguspark são factos posteriores e que a Comissão de Auditoria [da PT] fará o seu trabalho. Tenho total confiança de auditoria para o fazer", salientou. 

Depois desta resposta do presidente executivo da PT, Agostinho Branquinho voltou à carga, questionando-o sobre os motivos que levaram Zeinal Bava e o presidente do Conselho de Administração da empresa, Henrique Granadeiro, a nada terem comunicado aos restantes conselheiros, depois de terem decidido suspender o negócio com a Media Capital. 

"Se suspenderem o negócio de manhã, que razão houve para que nada tivessem comunicado à tarde aos membros do Conselho de Administração?", perguntou o deputado do PSD. 

Zeinal reafirma depoimentos anteriores

Zeinal Bava, tal como em anteriores respostas, remeteu para declarações que proferiu por ocasião da primeira vez que esteve na comissão de inquérito.

As razões da suspensão do negócio "tinham a ver com o mediatismo à volta da transação e alguma preocupação com a reputação da PT face ao enquadramento que existia", alegou. 

Neste ponto, Bava aproveitou para sublinhar que a Comissão Executiva da PT "não faz política, que tem num quadro de referência estritamente profissional".

"Em relação ao Conselho de Administração da PT, o ponto [do negócio com a Prisa] não estava agendado formalmente", mas acabou por ser debatido "no ponto referente a diversos", disse. 

O deputado social democrata Pacheco Pereira pegou depois nestas últimas palavras de Zeinal Bava para observar que "tem todo o sentido as questões do risco reputacional e da mediatização do negócio na medida em que, pelo menos, acabou com esse negócio". 

Mediatização interrompeu negócio

"Ou seja, a lógica puramente de negócios foi puramente interrompida pela mediatização. Mediatização significa que o negócio foi visto como politizado e o que [Henrique Granadeiro] nos disse foi mais ou menos a mesma coisa: quando se soube do negócio, percebeu-se a dificuldade de o prosseguir, porque implicava consequências políticas inaceitáveis para a PT", sustentou, antes de concluir: 

"Neste negócio, desde sempre que houve um problema de risco reputacional", salientou. 

O PS decidiu abdicar de fazer perguntas ao presidente executivo da PT, alegando que o depoimento inicial de Zeinal Bava, nesta segunda intervenção na comissão de inquérito, "foi coerente". 

Segundo o vice-presidente da bancada socialista, Zeinal Bava não deixou qualquer dúvida sobre a ausência de contradições no processo de negociações entre a PT e a Prisa para a aquisição de parte do capital da Media Capital.

"Para nós é gratificante saber que, quem fala a verdade, fala a verdade. Portanto, para o PS, não há lugar para qualquer questão", acentuou Ricardo Rodrigues -- intervenção que provocou sorrisos irónicos entre os deputados das forças da oposição. 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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