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Bento XVI em Portugal

Vídeo: Peluche ensina crianças a rezar

Um boneco de peluche, em forma de urso, que ensina os mais pequenos a rezar está a causar polémica em Fátima. Clique para aceder ao índice do dossiê Bento XVI em Portugal

É um ursinho de peluche com uma missão: ensinar as crianças a rezar. Apesar de ser um sucesso de vendas em Fátima, não é fácil encontrá-lo nas lojas, até porque, em terra de fiéis, o brinquedo tem gerado polémica.

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Numa pequena loja de artigos religiosos, na Rua Francisco Marto, os pequenos ursos com asas surgem em destaque pendurados à porta de um estabelecimento. Por apenas dez euros, o peluche parece revelar-se o caminho certo para a oração.

Mesmo em tempos de crise, o boneco "tem vendido muito bem", diz à agência Lusa Maria do Carmo, funcionária há dez anos da loja Maria Alice.

Estrangeiros aprovam

"As pessoas acham-lhe muita graça, até as estrangeiras que, mesmo não sabendo português, o compram porque acham parecido com o que rezaram no Santuário", conta.

No entanto, encontrar os ursinhos em Fátima pode transformar-se numa verdadeira "cruzada". São poucos os que o vendem e menos ainda os que querem falar sobre o último "grito" de vendas.

"A Renascença, às seis da tarde, é que ensina a rezar. Isso não é tarefa para um macaco", atira um lojista que se recusa a vender na sua loja o peluche que reza o Pai Nosso com sotaque brasileiro.

Peluche fala "brasileiro"

Na Loja Santo André, os peluches estão expostos numa estante montada na rua, mas o proprietário do estabelecimento comercial não quer falar sobre o brinquedo, insistindo em chamar a atenção para as estátuas da Nossa Senhora de Fátima, que podem ultrapassar os 2.500 euros.

"Foram feitas pela mesma pessoa que restaurou a imagem do santuário", afirma.

Sobre o peluche que tem na loja, o proprietário considera que "está mal feito". "Não gosto disto. Ainda por cima fala em brasileiro", conclui, dando por terminada a conversa.

Boneco censurado

Rosa Silva, rececionista de um hotel, partilha da mesma opinião e diz que "as pessoas não acham muita piada. Dizem que se fosse um anjinho a rezar ainda compravam, agora um cão...".

Para Ilda Oliveira, 52 anos, proprietária de uma loja mesmo ao lado do Santuário de Fátima, o uso de algo sagrado num boneco que pode ser atirado para o chão e sujo com facilidade, merece censura.

"Acho graça ao ursinho, mas não deviam misturar as coisas: pôr o Avé Maria no ursinho e depois uma criança brinca com ele, dá saltos, atira fora, suja-o", critica a lojista, confessando que o brinquedo é um dos temas quentes de conversa entre as colegas das lojas vizinhas.

"Nós respeitamos muito o que tem a ver mais com o sagrado e cada coisa tem o seu lugar próprio", conclui.

Brinquedo bonito

Mas, nas ruas, as opiniões dos peregrinos com quem a Lusa falou são diferentes. Vestidas de negro, as sexagenárias Maria Emília e Maria Rosa Rodrigues acham um "bom presente para as crianças".

"Embora tenha umas asinhas de anjo, ele é um ursinho! É um brinquedo bonito", diz Maria Emília, corroborada pela amiga de Caminha.

Maria do Carmo lembra ainda que com o urso as crianças "vão aprendendo a pouco e pouco" o Pai Nosso, sem ser "preciso estar a impingir para que rezem".

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.

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